Venezuelanos formam filas para trocar notas
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Folhapress 
São Paulo - Os venezuelanos voltaram a formar longas filas nesta terça (13) nas principais cidades do país. Desta vez a corrida foi aos bancos, para trocar as notas de 100 bolívares tiradas de circulação pelo presidente Nicolás Maduro. O mandatário disse ter tomado a decisão sob a alegação de que quadrilhas baseadas na Colômbia e apoiadas pelo Departamento de Estado americano estariam estocando as cédulas para "desestabilizar a economia do país".
Maduro também ordenou o fechamento da fronteira com o país vizinho por três dias - período em que será possível trocar as notas nos bancos venezuelanos - para evitar que estes bolívares retornem.
No primeiro dia de troca, milhares de pessoas traziam maços de notas de 100 aos bancos para tentar depositar ou trocar pelas novas moedas do mesmo valor, que fazem parte da nova família do bolívar.
Alguns se irritaram com a decisão repentina do governo. "Horrível, horrível, horrível! Não pode ser que façam isso faltando poucos dias para o Natal. Não é justo", disse a dona de casa Yajaira Pérez. Dias atrás, ela havia sacado milhares de bolívares em notas de 100 para as compras diárias. A cédula é a de maior denominação, mas vale R$ 0,14 na maior cotação oficial e R$ 0,06 na paralela, a mais usada pelos cidadãos.
Devido à alta inflação e à instabilidade dos sistema de cartões, muitos usam apenas dinheiro vivo, motivo pelo qual quem foi aos bancos levava as notas em malas e caixas. Cerca de 58 mil militares reforçaram a segurança.
O comércio já passou a recusar as notas. Quem perder o prazo de três dias para a troca nos bancos terá mais dez dias para trocar as notas nas filiais do Banco Central, que existem apenas na capital Caracas e em Maracay. Na fronteira, comerciantes de Cúcuta amargam o prejuízo. Grande parte dos estabelecimentos aceitavam bolívares, que não vão poder ser substituídos. A TV colombiana RCN mostrou um grupo atirando o dinheiro para o alto. Outras pessoas, venezuelanas e colombianas, esperavam durante a manhã para tentar cruzar para a Venezuela na esperança de que a fronteira reabra antes de quinta-feira (15).
Maduro voltou a defender a medida em nota nesta terça. "É uma medida dura, mas inevitável, e ninguém vai perder seu dinheiro, a não ser aqueles trapaceiros, que carregam caminhões de notas na região fronteiriça."


