Venezuelanos enfrentam longas filas para votar
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domingo, 15 de agosto de 2004
France Presse<br> Caracas 
Caracas As gigantescas filas que se formaram ontem nas sessões eleitorais da Venezuela demonstram que o índice de abstenção será pequeno no referendo sobre o mandato do presidente, Hugo Chávez. Os venezuelanos praticamente madrugaram para votar, mesmo assim tiveram que esperar horas na fila. O dirigente da oposição venezuelana Henrique SalasRömer chamou de abuso as seis ou oito horas que as pessoas tiveram que aguardar.
''Desde 1958 eu não via uma participação tão maciça de eleitores'', reconheceu Salas Römer, ex-governador do estado de Carabobo (100 km a oeste de Caracas) e que foi derrotado por Chávez nas eleições de 1998. A afluência ao referendo é tamanha que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) adiou para as 20 horas (21 horas de Brasília) o final da votação.
''Eu me levantei às três horas da manhã, às três e meia estava na fila para votar, mas só consegui às nove da manhã'', contou à AFP Carmen Rodríguez, dona de casa de 68 anos, na sessão onde também votou Hugo Chávez, no populoso bairro 23 de Enero (centro-oeste).
Reduto do chavismo em Caracas, o bairro tinha os prédios cobertos de cartazes e faixas pedindo o ''não'' no referendo. Os eleitores receberam Chávez gritando ''Uh, ah, Chávez no se va'' (Uh, ah, Chávez não se vá'')'' e ''No se va, el comandante no se va (Não se vá, comandante, não se vá)''. As pessoas, todas vestidas de vermelho, demonstraram seu apoio ao presidente enquanto esperavam para votar.
No centro da capital, os militares bloquearam o cruzamento das avenidas Baralt e Bolívar, mas surpreendentemente o trânsito fluía naturalmente nos arredores do Palácio de Miraflores, casa de governo da Venezuela.
Em alguns centros de votação, a lentidão do processo acirrou os ânimos dos venezuelanos: ''Essas máquinas têm de ser destruídas'', grita uma mulher na fila do colégio do bairro residencial Colinas de Bello Monte.
''Eles querem que a gente desista, por isso estão demorando tanto, mas vamos ficar aqui até votar'', disse José Pereira, reclamando do atraso na abertura das sessões.
As filas nas sessões eleitorais de Chacao (leste de Caracas), reduto da oposição, quase deram volta no quarteirão, como no Liceu Gustavo Herrera, do lado do centro comercial Sambil.
O diretor eleitoral Oscar Bataglini acredita que ''esta vai ser a consulta eleitoral de maior participação na história da Venezuela''. Nas eleições de 2000, em que Chávez foi reeleito, o índice de abstenção foi de 40%.
O incidente mais grave aconteceu do lado de fora de um colégio eleitoral de Caracas. Um grupo que circulava de moto atirou contra uma fila de eleitores, informou à AFP o comandante do Corpo de Bombeiros, Rodolfo BriceÀo.
''A versão que temos é que pessoas que estavam na fila para votar foram baleadas por desconhecidos que passaram de moto. Há um morto e dez feridos à bala'', afirmou BriceÀo, acrescentando que o incidente estava sendo investigado pela promotoria e pela polícia (PTJ).


