Caracas - Os venezuelanos se pronunciarão neste domingo em referendo sobre a revogação ou não do mandato do presidente Hugo Chávez mas, desde já, partidários de Chávez e a oposição proclamam vitória antecipada. Mais de 14 milhões de eleitores estão convocados para responder 'sim' ou 'não' à pergunta: ''Você concorda em revogar o mandato popular concedido mediante eleições democráticas legítimas ao cidadão Hugo Rafael Chávez Frías, como Presidente da República Bolivariana da Venezuela para o atual período presidencial?''.
Para revogar o mandato de Chávez, um político populista de esquerda de 50 anos, a oposição precisa arrecadar 3,8 milhões de votos, que os seguidores do presidente não obtenham um maior número de votos, e que pelo menos 25% dos venezuelanos se pronunciem neste plebiscito.
Tanto os partidários de Chávez quanto a oposição se empenharam em divulgar pesquisas que os favoreciam durante toda a campanha. No entanto, segundo o diretor executivo de Datanálise, Luis Vicente León, ''foi registrado um grande crescimento do 'não'. Mas o 'sim' permanece uma força importante''.
León explicou que o crescimento de ''não'' se devia aos programas sociais impulsionados pelo governo, e à feroz propaganda. ''Este crescimento fortaleceu a posição de Chávez na perspectiva do plebiscito, e o tornou muito mais poderoso, mas não significa necessariamente que ele vá vencer'', frisou León em declarações publicadas na quinta-feira no jornal El Universal.
Chávez chegou à presidência em fevereiro de 1999, com 56% dos votos, e deu início a uma reforma constitucional que foi interrompida em dezembro do mesmo ano. Mas em 2000, esta reforma foi retomada e deve se estender até 2006. Ex-tenente coronel do Exército, Chávez tentou um golpe em fevereiro de 1992 contra o governo do presidente Carlos Andrés Pérez (1974-1979 e 1989-1993), tendo ficado preso até 1995, ano em que foi indultado pelo então presidente Rafael Caldera.
A falta de prognósticos claros sobre um resultado faz temer uma onda de violência no país, além de desatar suspeitas sobre tentativas de ambas as partes de manipular os resultados de alguma forma.
Enrique Mendoza, governador do Estado Miranda e dirigente do movimento opositor Coordenadora Democrática (CD), avisou que divulgará o resultado do referendo antes da publicação dos informes oficiais. ''Se o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) não divulgar os resultados rapidamente, nós o faremos'', afirmou Mendoza em entrevista coletiva à imprensa.
Mendoza insistiu no fato de que os opositores divulgarão seus resultados a partir das 14 horas locais, apesar de a votação terminar somente às 18 horas locais. O CNE afirmou que os primeiros resultados sairão cerca de três horas depois do final da votação. ''Estamos convencidos de que vamos vencer, apesar da falta de credibilidade da autoridade eleitoral'', declarou Mendoza.

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