Venezuela registra 14 mortes em protestos contra e a favor de Maduro
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
Reportagem Local<br>Com informações da Agência Estado 
A organização não governamental Observatório Venezuelano de Conflito Social (OVCS) publicou, na conta no Twitter, informações sobre 14 mortos durante os protestos nas ruas de Caracas, entre a quarta (23) e terça-feira (22), inclusive de dois jovens de 16 e 18 anos.
De acordo com a OVCS, 13 vítimas eram do sexo masculino e uma do feminino. As idades variam entre 16 e 47 anos. Nas imagens postadas pela OVCS, há muitos agentes do Estado armados e fortemente equipados para proteção pessoal.
Segundo a entidade, além de Caracas registraram manifestações com episódios de violência as regiões de Amazonas, Barinas, Bolívar, Portuguesa e Táchira. Na quarta, houve protestos contra o governo de Nicolás Maduro e também a favor, depois que o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Juán Guaidó, autodeclarou-se presidente interino do País. Guiadó é o principal nome da oposição ao governo de Maduro que disse em discurso que permanecerá no poder.
O Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a reconhecer Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Em sua conta no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que está participando do Fórum Econômico Mundial (Davos, na Suíça), postou mensagem de apoio a Guaidó. Em Davos, Bolsonaro reiterou a colaboração brasileira ao governo recém-declarado.
O governo dos Estados Unidos também se manifestou reconhecendo Guaidó como presidente da Venezuela. A decisão foi reforçada pelo presidente, Donald Trump, e pelo vice-presidente, Mike Pence, em suas contas na rede social Twitter. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, também reconheceu Guaidó e felicitou o deputado pelo juramento.
Além do Brasil e Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Peru, Colômbia, Canadá, a União Europeia e d Organização dos Estados Unidos reconhecem o processo de transição e manifestaram apoio a Guaidó.
Já os presidentes do México, Andrés Obrador; da Bolívia, Evo Morales; e de Cuba, Miguel Díaz Canel; saíram em defesa de Maduro e não reconheceram a legitimidade de Guaidó.
'Sinais de golpe de Estado'
Aliado da Venezuela, o governo da Rússia alertou sobre a possibilidade de agravamento da crise no país a partir do estabelecimento de um processo de transição comandado por Guaidó. Autoridades russas afirmaram que há riscos de redução da cooperação econômica com a Venezuela, pois a instabilidade interna impede negociações e acordos.
O presidente do Comitê de Relações Exteriores, Konstantin Kosachev, usou as redes sociais para rechaçar a interinidade de Guaidó e defender o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Segundo ele, há "sinais de um golpe de Estado".
Entenda o caso
A situação na Venezuela se agravou após a eleição de Maduro para novo mandato, que é contestada pela comunidade internacional. Ele tomou posse, em 10 de janeiro, perante a Suprema Corte. Para Brasil, o Grupo de Lima, que reúne 14 países, e a Organização dos Estados Americanos (OEA), o mandato é ilegítimo e a Assembleia Nacional Constituinte deve assumir o poder com a incumbência de promover novas eleições.
Guaidó chegou a ser preso e liberado. A Assembleia Nacional, então, declarou "usurpação da Presidência da República" por Maduro.
Na terça(22), a Sala Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) divulgou validade da decisão tomada em janeiro de 2017 questionando as ações da Assembleia Nacional comandada por Guaidó. Segundo comunicado divulgado no sítio oficial da Corte, pela decisão "qualquer atuação da Assembleia Nacional e de qualquer órgão ou indivíduo contra a sentença será nula e carente de validade e eficácia jurídica."


