Ansa
De Caracas
A Assembléia Constituinte da Venezuela, principal projeto político do presidente Hugo Chávez, foi formalmente instalada ontem com uma avassaladora maioria governista e a missão de redigir uma nova Constituição.
‘‘Declaro solenemente o caráter originário da assembléia’’, disse o presidente da constituinte, o ex-ministro do Interior do primeiro gabinete de Chávez, Luis Miquilena.
O ex-ministro e veterano ativista social, escolhido por unanimidade para presidir a constituinte, enfatizou o caráter soberano da assembléia, o que reavivou o fantasma de uma eventual dissolução do Congresso, que entrou em recesso até outubro.
Esta posição desafia uma decisão da Corte Suprema de Justiça - cuja presidente, Cecilia Sosa Gómez, assistiu ao ato de instalação da constituinte -, que dotou a assembléia de um poder subordinado e limitou seu trabalho à redação de uma nova Constituição.
O próprio Chávez, que teve que se conformar em assistir a instalação da constituinte do palácio de Miraflores, disse mais tarde a jornalistas que ‘‘a assembléia é a revolução instalada’’ e que ‘‘nada poderá detê-la’’.
Um dos poucos constituintes que fazem oposição ao governo (apenas 6% deles), Claudio Fermín, mostrou-se confiante na ‘‘seriedade’’ da assembléia, mas pediu para que seja garantida sua pluralidade e da nova Constituição.

mockup