Associated Press
De La Guaira
A Venezuela praticamente encerrou os trabalhos de resgate e lançou-se ontem num longo trabalho de reconstrução de sua costa caribenha, após os mais mortíferos deslizamentos e inundações de sua história. ‘‘Estamos ativando uma nova etapa’’, anunciou o presidente Hugo Chávez.
Uma semana depois da tragédia que matou entre 5 mil e 30 mil pessoas e deixou pelo menos 140 mil desabrigados, o ministro da Infra-Estrutura, Julio Montes, informou que o governo está destinando imediatamente o equivalente a US$ 778 milhões para para reparar estradas, linhas de energia e redes de água numa faixa de 100 quilômetros do Estado de Vargas, coberta por um mar de lama e destroços.
‘‘Estamos falando sobre ter 500 trilhões de bolívares disponíveis neste momento para enfrentar os problemas criados por essa tragédia’’, disse Montes.
O governo estimou que a reconstrução de toda a área devastada levará uma década e estimou os custos totais em bilhões de dólares. A Assembléia-Geral da ONU pediu que a comunidade internacional dê uma generosa ajuda à Venezuela. A Espanha já anunciou um empréstimo de US$ 100 milhões e a União Européia, uma ajuda extra de US$ 3,2 milhões. Os EUA enviaram quatro equipamentos purificadores de água. O Brasil enviará hoje um carregamento de 16 toneladas de donativos.
O governo venezuelano informou que já recebeu US$ 14 milhões de ajuda internacional e prometeu usá-los com total transparência.
O trabalho de reconstrução de estradas foi iniciado ontem. O governo determinou a criação de brigadas militares e civis para construir um canal de acesso ao longo de Vargas, para permitir a chegada de ajuda às áreas isoladas. A retirada de desabrigados no Estado já está quase completa. Segundo o Exército, falta transferir apenas 2 mil pessoas para alojamentos de emergência. Chávez prometeu dar aos desabrigados um Natal ‘‘decente’’, com uma ceia com os pratos típicos do país.
Outra preocupação das autoridades é com os saques. Mais de 6 mil soldados foram deslocados nas cidades fantasmas de Vargas, onde edifícios sobressaem de uma montanha de destroços e lama da altura da cabeça, num cenário de desolação total.

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