Venezuela entrou graças ao Brasil, diz Uruguai
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segunda-feira, 02 de julho de 2012
Folhapress 
São Paulo - O ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, afirmou que seu país era contrário ao ingresso da Venezuela no Mercosul e que ele só foi aprovado pela intervenção da presidente brasileira, Dilma Rousseff.
Segundo a imprensa uruguaia, não só Almagro, como o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, eram contra, na reunião da semana passada em Mendoza (Argentina), à entrada da Venezuela. O argentino Héctor Timerman teria defendido a proposta.
''Isso foi resolvido em uma reunião fechada dos presidentes (Dilma, Cristina Kirchner e José Mujica). Dilma disse que precisava falar politicamente com os outros dois, e os chanceleres saíram da sala. Dessa reunião, saiu a decisão'', disse o ministro. ''A iniciativa foi mais brasileira, a posição do Brasil foi decisiva nessa história'', afirmou Almagro, que disse não saber o que foi negociado.
Patriota disse, via assessoria, que o governo brasileiro foi favorável à entrada da Venezuela durante todo o debate em Mendoza. Ele ressaltou que o Brasil apenas acatou uma ponderação do Uruguai, expressa na reunião de chanceleres: a de que a decisão do ingresso precisava de um respaldo jurídico sólido, como forma de evitar questionamentos futuros.
Por isso, a decisão de Dilma de convocar o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, para a cúpula.
Segundo Patriota, as posições defendidas por chanceleres, na véspera da cúpula, e pelos presidentes, na última sexta, foram consensuais - sem votação. De acordo com ele, nenhum dos países, nem o Uruguai, apresentou questionamentos à entrada do novo sócio permanente.
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que não houve pressão do governo. ''Isso não corresponde ao estilo da política externa brasileira e menos ainda da presidente Dilma.''
O Planalto avaliza a versão de Patriota e diz que as declarações do chanceler uruguaio miravam o ''público interno'' - ou seja, para o Congresso e para setores empresariais do país que não veem a Venezuela de Chávez com bons olhos.
O chanceler uruguaio havia manifestado publicamente antes do encontro ser contra o ingresso da Venezuela enquanto o Paraguai estiver suspenso do bloco -até a eleição presidencial em 2013.
A reunião do Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, foi suspensa ontem. A sessão (que discutiria a crise no Paraguai) teve que ser cancelada porque nenhum parlamentar argentino compareceu - é preciso haver ao menos um representante de cada país.


