São Paulo - O embaixador da Venezuela na OEA (Organização dos Estados Americanos), Roy Chaderton, reconheceu ontem que há guerrilheiros colombianos no país, mas negou apoio aos rebeldes e afirmou que as Forças Armadas venezuelanas não apenas combatem a guerrilha, como já entregaram membros capturados à Colômbia. ''Entregamos guerrilheiros, mas isto não se registra e nem se recorda. Tivemos soldados de nossa guarda caídos em combate (contra os guerrilheiros)'', afirmou Chaderton à Rádio Caracol.
Na quinta-feira o presidente venezuelano, Hugo Chávez, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, depois que essa apresentou provas -fotos, vídeos e coordenadas- em reunião da OEA de que há 87 acampamentos das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em cidades venezuelanas.
O governo de Álvaro Uribe acusa Chávez de ser leniente quanto à presença dos guerrilheiros.
Chaderton voltou a acusar o governo Uribe de defender um ''realismo mágico midiático'' e de apresentar um cenário que não tem relação com a realidade. ''Quando as Farc violam a fronteira é porque as forças de segurança da Colômbia não souberam defender seu Estado. Não devemos pagar por isso em termos de escândalos midiáticos'''', disse o embaixador, voltando a dizer que as fotos exibidas de guerrilheiros em praias e casas não provam que seja território venezuelano.
O embaixador explicou ainda o motivo de não querer, como pede a Colômbia, que organismos internacionais verifiquem as provas e chequem nos locais apontados se há efetivamente guerrilheiros. Ele afirmou que já houve duas iniciativas semelhantes no passado: em uma não encontraram nada e na outra não completaram a busca porque o acampamento estava em território colombiano.
''Quando há iniciativas que nós consideramos de má fé e que buscam favorecer os Estados Unidos, nós não entramos no jogo'', disse o diplomata, voltando a acusar o governo Uribe de se submeter a vontade de Washington.

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