Venda ilegal de armas só foi suspensa depois da primeira denúncia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de julho de 2001
France PresseDe Buenos Aires 
A venda ilegal de armas para a Croácia e Equador durou quatro anos, mas foi suspensa em 1995 depois de uma revelação da imprensa e da apresentação da primeira denúncia judicial. A investigação foi realizada pelo juiz federal Jorge Urso e pelo promotor Carlos Stornelli.
O caso diz respeito à venda ilegal, entre 1991 e 1995, de 6.500 toneladas de armamento pesado, fuzis, munições e pólvora para a Croácia e de 75 toneladas de armas ao Equador, através de decretos presidenciais secretos que autorizavam a venda do material bélico a outros destinos (Panamá e Venezuela, respectivamente).
Nessa época, a Croácia estava envolvida na guerra dos Blcãs e era alvo de um embargo internacional, enquanto o Equador enfrentava o Peru na chamada guerra do Condor. Além disso, a Argentina cumpria missões de paz nos dois territórios, ao integrar a equipe da ONU na ex-Iugoslávia e ser mediadora dos tratados limítrofes entre Peru e Equador.
Em 1991 Menem assinou os decretos presidenciais secretos 1697 e 2283 que autorizavam a venda de armas para o Panamá. Em 1995, o decreto 103 que tinha a Venezuela como falso destino. Os decretos também tinham as assinaturas dos ex-ministros de Defesa Antonio Erman González e Oscar Camilión (103/95), do ex-chanceler Guido Di Tella e do atual ministro da Economia, Domingo Cavallo, que na ocasião ocupava o mesmo cargo. Cavallo é o único dos que assinaram os documentos que não foi chamado para depor.


