Venda de celular atrai multidão no Iraque
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domingo, 08 de fevereiro de 2004
Selim Saheb Ettaba<br>France Presse 
Bagdá - Os moradores de Bagdá estão enchendo as lojas de telefonia móvel que proliferam na capital, seduzidos pelos cartões pré-pagos lançados depois da recente festa do Sacrifício. Na avenida comercial Saadun, guardas de segurança controlavam o acesso aos principais pontos de venda da operadora Iraqna, que cobre o centro do país.
O custo ainda alto, num país onde o salário médio é estimado em US$150 por mês, não assustou. ''A loja está cheia deste a manhã deste domingo, Abrimos às 8h30, e tivemos de deixar de aceitar clientes às 14 horas porque já não restavam mais linhas'', explicou um funcionário que não quis ser identificado. ''Toda a empresa estava aqui para vender, dos empregados ao diretor-geral, por causa do fluxo intenso de clientes'', acrescentou, destacando que foram vendidas no sábado cerca de cem linhas, e que a empresa esperava manter este ritmo durante os próximos dias.
Iraqna, uma das três companhias autorizadas desde dezembro a operar no Iraque e cujo acionista majoritário é a empresa de telecomunicações egípcia Orascom, lançou logo depois da festa muçulmana de Aid al Adha (ou do Sacrifício) os cartões pré-pagos, em versões de US$20 para 15 dias ou de US$30 para um mês. O abono inicial custa US$69. Até então, os usuários tinham de pagar um depósito de US$650, uma quantia inacessível para a maioria dos particulares.
Apesar de o telefone celular chegar de forma tardia ao Iraque, onde as sanções internacionais e o controle do regime deposto impediam sua implantação, ele atende a necessidades específicas. ''Antes não existiam linhas, mas ainda é caro'', considerou um cliente potencial, Mohamad al Tikriti, 23 anos e desempregado.
A rede terrestre de telefonia, que a coalizão admitiu ter atacado deliberadamente por seu uso civil e militar, foi danificada pela guerra, os saques e a falta de peças. A estes problemas se soma a insegurança que domina o Iraque desde a queda do governo de Saddam Hussein. As pessoas ''precisam deste serviço por causa da situação lamentável da segurança neste país, onde há bombas e assassinatos em plena rua'', afirmou Rafeh, considerando que este é o ''principal motivo'' do interesse pelo celular.


