Vazia e de portas fechadas, Mal del Plata espera Bush
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Folhapress 
Mar del Plata (Argentina) - Sem trabalho há 13 anos, Claudio Cabilla, 33 anos, vive dos 150 pesos mensais de um dos planos sociais do governo argentino e não sabe que a geração de empregos nos países em desenvolvimento, como a Argentina, é o tema da IV Cúpula das Américas, que acontece a partir de hoje na cidade onde vive, o balneário Mar del Plata (a 400 km de Buenos Aires).
O que sabe é que tem medo de um possível atentado na cidade por conta da presença no encontro do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e que, como boa parte dos argentinos, não gosta do mandatário americano.''Ele pode até melhorar as coisas por lá, mas para as pessoas daqui não faz nada'', diz, afirmando estar receoso de um possível ataque a cidade nos moldes do 11 de Setembro, nos EUA.
As ruas da favela onde mora, a alguns quarteirões do local onde ocorre a 3 Cúpula dos Povos (a chamada ''anticúpula''), estão desertas por causa da Cúpula das Américas, assim como boa parte dos outros bairros de Mar del Plata, geralmente lotada de turistas.
Muitos comerciantes fecharam as portas por causa do encontro, com receio de um eventual quebra-quebra nas marchas em repúdio à visita do presidente americano e contra a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que ocorrerão principalmente hoje. Alguns colocaram grades ou chapas de ferro nas vitrines para se proteger dos protestos, assim como bancos americanos e a rede de lanchonetes Mc Donald's.
Além disso, parte dos moradores, os de maior poder aquisitivo, deixou a cidade para escapar do forte esquema de segurança montado pelo governo argentino a estimativa é que são sete mil homens na cidade. Os moradores temem o que pode acontecer por causa do encontro, seja um atentado terrorista ou confusões causadas por protestos, sensação aumentada pelos policiais vestidos de negro que circulam em motocicletas pelas ruas vazias do balneário.
Além da marcha principal da Cúpula dos Povos, que ocorre hoje e deve ter presença do ex-jogador de futebol Diego Maradona e do presidente venezuelano Hugo Chávez, acontecerá uma manifestação de piqueteiros (desempregados que protestam pedindo planos sociais e trabalho) mais radicais, que não são alinhados ao governo de Néstor Kirchner.


