Vazamento de dados pessoais atinge Merkel
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sábado, 05 de janeiro de 2019
Folhapress 
São Paulo - Dados pessoais e documentos de centenas de políticos e figuras públicas da Alemanha foram publicados na internet, em um vazamento que atingiu líderes do Parlamento e o primeiro escalão do governo, incluindo a chanceler Angela Merkel.
Segundo a imprensa local, foram divulgadas por uma conta anônima no Twitter conversas de e-mails, endereços, números de cartões de crédito e de celulares e detalhes de documentos de identidade de políticos de quase todos os partidos do país, com exceção da sigla de direita radical AfD (Alternativa para a Alemanha). Celebridades e jornalistas também foram atingidos pelo caso.
Embora o vazamento tenha ocorrido próximo do Natal, o gabinete de Merkel confirmou o caso apenas nesta sexta (4) e disse que nenhum material sensível da chanceler ou do governo foi divulgado irregularmente. "Dados pessoais e documentos pertencentes a centenas de políticos e figuras públicas foram publicados on-line", disse a porta-voz Martina Fietz, em entrevista coletiva.
A emissora pública ARD, a primeira a noticiar o vazamento, também disse que não encontrou nenhuma informação sensível do governo no material. Em um dos documentos publicados na internet, porém, há dois e-mails da chanceler, assim como correspondências dela. A lista de atingidos inclui nomes de diferentes esferas do governo. "De acordo com uma primeira análise, foram afetados representantes do mundo político, incluindo o Parlamento Europeu, o Bundestag (Câmara Alemã de Deputados), os parlamentos regionais e os representantes municipais", afirmou Fietz.
Documentos internos de alguns partidos, incluindo agremiação de esquerda Linke, também foram divulgados. O líder do grupo, Dietmar Bartsch, disse estar "profundamente chocado" com o que classificou como um "sério ataque à democracia em nosso país".
Outras siglas - incluindo a CDU (União Democrata Cristã) de Merkel, o SPD (Partido Social Democrata) e os Verdes - disseram que ainda estão analisando o vazamento para determinar exatamente o que foi divulgado. Alguns políticos afirmaram que pelo menos parte do material divulgado atribuído a eles é falso.
Devido ao caso, a agência nacional de defesa cibernética da Alemanha, convocou uma reunião de emergência para coordenar a resposta do governo. O Ministério do Interior disse que ainda não é possível estabelecer se as informações foram roubadas em um ataque hacker ou se o caso foi obra de um vazamento interno, mas afirmou que vai investigar o caso.
Já a ministra da Justiça, Katarina Barley, adotou um tom diferente e disse que o país foi alvo de um "um grave ataque" por parte daqueles que "querem sabotar a confiança na democracia e nas suas instituições". As autoridades não apontaram possíveis responsáveis pelo caso. A Alemanha já foi alvo anteriormente de ataques hackers, incluindo um realizado no ano passado contra a rede do Ministério de Relações Exteriores. Na ocasião, Berlim culpou um grupo de hackers russos ligados ao governo de Moscou de estar por trás do ataque, o que o governo de Vladimir Putin nega.


