Vaticano vê pequena melhoria em Cuba
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domingo, 18 de janeiro de 1998
Bruno Bartoloni France Presse 
France PresseAlentoA decisão de comemorar o Natal e a abertura das fronteiras a religiosos estrangeiros traduzem a longa atividade diplomática entre o Vaticano e HavanaJoão Paulo II, o Papa que contribuiu poderosamente para derrubar o colosso com pés de barro soviético visita a partir de quarta-feira, a Ilha de Cuba, um dos últimos redutos do comunismo.
A determinação e a atividade deste papa polonês foram, segundo diplomatas e personalidades políticas, fatores determinantes na queda do muro de Berlim e dos regimes comunistas da Europa do Leste.
O último chanceler da URSS, Eduard Shervardnadze, reconheceu em dezembro de 1989 que João Paulo II era muito provavelmente o principal protagonista dos traumas do leste, opinião compartilhada pelo proprio Mikhail Gorbachov.
A onda que arrasou os regimes comunistas partiu principalmente da Polônia, com Lech Walesa e seu sindicato livre criado em Gdansk em 1981. É quase certo que o Solidarnosc não teria durado tanto se o papa não o tivesse patrocinado recebendo no vaticano seu líder, que dez anos depois seria o presidente da nova Polônia.
Com igual determinação, o Soberano Pontíficie previa viajar um dia a Cuba para uma visita pastoral à igreja do silêncio, encravada no coração da arquicatólica América Latina, onde vive a quase totalidade dos católicos de todo o mundo.
Segundo fontes vaticanas, é o próprio Papa que não quis ir antes a Cuba: Fidel Castro o convidou em fevereiro de 1979, no começo de seu pontificado e quando acabava de fazer uma trinfal visita pastoral ao México.
João Paulo II não teria aceito o convite, estimando que não deveria conceder com a sua presença ao líder máximo da ilha um crédito que as circunstâncias internacionais da época não aconselhavam, segundo as mesmas fontes.
Os assessores do papa estimaram que para a igreja local, perseguida pelo regime, uma visita de João Paulo II poderia ser negativa.
Dez anos mais tarde, em 1989 e depois de uma reunião com Fidel Castro, o cardeal francês Roger Etchegaray, presidente do Conselho pontifício para a justiça e a paz, afirmou que uma visita papal era a partir de então previsível, depois que o próprio Fidel renovou o convite.
O papa deve refletir com a ajuda de seus assessores, mas eu não acredito que a visita poderia ter sido feita antes de abril de 1991, disse então o arcebispo de Havana, dom Jaime Lucas Ortega e Alamino.
O projeto de viagem ficou suspenso. As relações entre a igreja católica e o regime cubano não progrediram de maneira concreta, principalmente quanto ao espaço reclamado pelos católicos na imprensa e para suas atividades religiosas.
Apenas em 1995 o papa indicou, a bordo do avião que o levava de Roma aos Estados Unidos, que a situação da igreja católica cubana tinha melhorado.
Melhoria modesta mas alentadora, que daria passagem a uma primeira iniciativa histórica, dia 19 de novembro de 1996: Fidel Castro, o mais antigo e prestigioso dirigente comunista ainda no poder, cruzou a Porta de Bronze do Vaticano.
Em 1997, nas vésperas da visita do papa a ilha, a decisão de celebrar o Natal pela primeira vez desde o o começo da revolução, e a de abrir as fronteiras a religiosos estrangeiros, traduziram concretamente os resultados de uma longa e paciente atividade diplomática.


