São Paulo - O papa Francisco decretou nesta terça-feira o estabelecimento de uma comissão para acelerar a análise dos recursos apresentados pelos padres condenados em suas dioceses por delitos graves, incluindo crimes de pedofilia, anunciou a Santa Sé. O comitê, que será composto por sete cardeais e bispos, trabalhará na Congregação para a Doutrina da Fé, para onde são enviados todos os recursos de apelação de sacerdotes e outros religiosos contrários à sua condenação pelos tribunais diocesanos.
"As muitas apelações causaram um acúmulo de trabalho", explicou o padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, sem especificar quantos registros são estudados atualmente.
Em maio deste ano, o Vaticano anunciou que os tribunais eclesiásticos haviam imposto sanções a pelo menos 3.420 padres e religiosos na última década. A Santa Sé afirmou ainda que, de 2004 a 2013, excomungou cerca de 850 padres acusados de abuso sexual.
A ideia é que a nova comissão ajude a esclarecer mais rapidamente os casos. O papa ainda não nomeou os sete membros do comitê, que será responsável por julgar crimes contra a fé, os sacramentos e a moral. Estes últimos, segundo o porta-voz Lombardi, abrangem essencialmente casos de abuso sexual praticados contra menores.
A jurisdição da comissão incluirá padres, mas não bispos nem "casos especiais" determinados pelo pontífice, cujos recursos continuarão a ser examinados por todos os membros da congregação.

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