Cidade do Vaticano – Os atentados em Paris já repercutiram no Vaticano. Dentro e fora da Praça S. Pedro, é visível o reforço da segurança com viaturas dos carabineiros e agentes de polícia. Na "Via da Conciliazione", a rua que dá acesso à Basílica Vaticana, a escola de ensino fundamental e médio Pio IX decidiu fechar seus portões após o horário de entrada dos estudantes. Todavia, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, informou que não recebeu alertas de riscos específicos de serviços secretos de outros países, como divulgado por alguns meios de comunicação internacionais.
"Mantêm-se os normais e oportunos serviços de segurança que, fazendo referência à situação atual, convidam à atenção e à prudência razoáveis. Contudo, não resultam assinalações de motivos concretos e específicos de risco", disse o porta-voz, acrescentando ser desnecessário alimentar preocupações "que possam inutilmente perturbar o clima de vida e de trabalho, e isso também no que diz respeito aos tantos peregrinos e turistas que todos os dias frequentam o Vaticano".
A londrinense Isa Granzotti – servidora pública e chefe de cerimonial do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) – esteve na Praça S. Pedro esta semana. Em viagem de estudo na Itália, Isa notou a presença dos policiais, que antes era quase imperceptível. "Atentado é uma coisa preocupante, independente de onde aconteça, porque ceifa vidas. Toda segurança é necessária, mas isso não me impede de viajar. O Papa Francisco se expõe demais tentando estabelecer a paz entre os países. Ele pode ser mal interpretado", disse.
Por sua vez, a carioca Cristiane Murray, funcionária da Rádio Vaticano, acredita que o Papa não é um alvo dos extremistas. "Nossa mensagem não é proselitista nem intolerante. O Pontífice prega paz, reconciliação, igualdade, misericórdia e solidariedade, com palavras e gestos. Atentados como os de Paris são obra de extremistas que não conectam fé com razão. É importante que não se difunda um clima de pavor."
O Comissariado de Polícia de Roma recomendou a todos os órgãos de imprensa que reforcem a segurança com ingressos blindados nas redações, detectores de metais e circuitos de vigilância interligados com as salas operativas dos carabineiros. A "Rádio do Papa" ainda não acatou as recomendações. A sua sede fica no início da "Via da Conciliação" e, assim como na Praça S. Pedro, qualquer pessoa pode entrar. Há alguns anos, a Gendarmaria da Cidade do Vaticano deslocou um oficial para a recepção do prédio, "um senhor aposentado, sequer armado, e que certamente não assusta nenhum mal-intencionado", declarou Cristiane.
Antes dos atentados de Paris, o Estado Islâmico já havia feito referências "à conquista de Roma", com audiomensagens que anunciam a "destruição da cruz" e publicações que mostram a bandeira preta do Califado sobre o obelisco da Praça S. Pedro. O fato que essas ameaças ainda não tenham se concretizado no coração do Cristianismo pode indicar que por detrás dos ataques estejam motivações mais políticas do que religiosas. "O princípio do terrorismo fundamentalista é a rejeição ao próprio Deus", definiu o Papa em discurso na semana passada, comentando o ataque ao semanário Charlie Hebdo.

Europa em alerta

Nove das 12 pessoas detidas na sexta-feira na França seguiam em prisão preventiva ontem para ser interrogadas sobre um possível apoio logístico - sobretudo armas e veículos - a Amedy Coulibaly.
Por sua vez, a Bélgica mobilizou suas tropas pela primeira vez em 35 anos, depois que as forças de segurança desmantelaram uma célula terrorista preparada para atentar contra alvos policiais.
Já a polícia alemã "proibiu toda reunião pública ao ar livre" hoje em Dresden por um "risco terrorista concreto" para a manifestação semanal do movimento anti-islã Pegida (Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente) após denúncias de haver "um risco terrorista concreto" contra o grupo. (com France Presse)

mockup