Vaticano pede desculpas por omissão no holocausto
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Reuter 
France PresseReflexão sobre o ShoahO cardel Cassidy (e) defende o documento: É mais que um pedido de desculpas (...) é um ato de arrependimentoNum documento histórico divulgado ontem, o Vaticano lamentou profundamente os erros e faltas de católicos durante o Holocausto, mas rejeitou qualquer responsabilidade nessa indizível tragédia e defendeu o papa da época, Pio XII, deixando os israelenses insatisfeitos.
Dos pontos de vista histórico, humanitário, educacional e moral, o Vaticano ainda precisa fazer um pedido explícito de desculpas pela vergonhosa atitude do papa, disse o rabino-chefe de Israel, Meir Lau, um sobrevivente do Holocausto de 6 milhões de judeus pelos nazistas na 2.ª Guerra. Naquela época, uma clara condenação por parte do Vaticano poderia ter impedido as coisas terríveis que foram feitas, acrescentou.
O ex-representante israelense no Vaticano Yitzhak Minervi disse estar desapontado com o documento. Toda a responsabilidade foi posta sobre alguns cristãos, enquanto a Igreja e suas instituições saíram limpas.
Mas, segundo o chefe da Comissão do Vaticano para Relações Religiosas com os Judeus (que redigiu o documento), o cardeal Edward Cassidy, o texto de 14 páginas, intitulado Nós Lembramos - Uma Reflexão sobre o Shoah , é um ato de arrependimento coletivo.
É mais que um pedido de desculpas, já que, como membros da Igreja, estamos ligados aos pecados, assim como aos méritos, de todos os seus filhos, afirmou. É um ato de arrependimento, acrescentou. Sentimos ser necessário nosso arrependimento - não só pelo que possamos ter feito individualmente, mas também pelos membros de nossa Igreja que falharam.
Numa breve introdução ao documento, o papa João Paulo II - que já em 1987 prometera a grupos judaicos divulgar uma declaração sobre a atuação da Igreja na época da 2ª Guerra - disse que o Holocausto permanecerá sempre como uma mancha do século 20 e pediu que os cristãos examinem a responsabilidade que eles também têm pelas máculas de nossa época.
Historiadores do Vaticano dizem que Pio XII, que liderou a Igreja Católica de 1939 a 1958, evitou condenar publicamente a perseguição aos judeus temendo o agravamento da situação dos católicos e dos próprios judeus na Alemanha e nos países ocupados. Embora Pio XII tenha condenado alguns aspectos do nazismo, como sua doutrina de superioridade racial, alguns grupos judaicos o acusam de ter fechado os olhos para as atrocidades do regime.


