France PresseReflexão sobre o ShoahO cardel Cassidy (e) defende o documento: ‘‘É mais que um pedido de desculpas (...) é um ato de arrependimento’’Num documento histórico divulgado ontem, o Vaticano lamentou profundamente os ‘‘erros e faltas’’ de católicos durante o Holocausto, mas rejeitou qualquer responsabilidade nessa ‘‘indizível tragédia’’ e defendeu o papa da época, Pio XII, deixando os israelenses insatisfeitos.
‘‘Dos pontos de vista histórico, humanitário, educacional e moral, o Vaticano ainda precisa fazer um pedido explícito de desculpas pela vergonhosa atitude do papa’’, disse o rabino-chefe de Israel, Meir Lau, um sobrevivente do Holocausto de 6 milhões de judeus pelos nazistas na 2.ª Guerra. ‘‘Naquela época, uma clara condenação por parte do Vaticano poderia ter impedido as coisas terríveis que foram feitas,’ acrescentou.
O ex-representante israelense no Vaticano Yitzhak Minervi disse estar ‘‘desapontado’’ com o documento. ‘‘Toda a responsabilidade foi posta sobre alguns cristãos, enquanto a Igreja e suas instituições saíram limpas.’
Mas, segundo o chefe da Comissão do Vaticano para Relações Religiosas com os Judeus (que redigiu o documento), o cardeal Edward Cassidy, o texto de 14 páginas, intitulado ‘‘Nós Lembramos - Uma Reflexão sobre o Shoah ’, é um ato de arrependimento coletivo.
‘‘É mais que um pedido de desculpas, já que, como membros da Igreja, estamos ligados aos pecados, assim como aos méritos, de todos os seus filhos’’, afirmou. ‘‘É um ato de arrependimento’’, acrescentou. ‘‘Sentimos ser necessário nosso arrependimento - não só pelo que possamos ter feito individualmente, mas também pelos membros de nossa Igreja que falharam.’
Numa breve introdução ao documento, o papa João Paulo II - que já em 1987 prometera a grupos judaicos divulgar uma declaração sobre a atuação da Igreja na época da 2ª Guerra - disse que o Holocausto permanecerá sempre como uma ‘‘mancha’’ do século 20 e pediu que os cristãos ‘‘examinem a responsabilidade que eles também têm pelas máculas de nossa época’’.
Historiadores do Vaticano dizem que Pio XII, que liderou a Igreja Católica de 1939 a 1958, evitou condenar publicamente a perseguição aos judeus temendo o agravamento da situação dos católicos e dos próprios judeus na Alemanha e nos países ocupados. Embora Pio XII tenha condenado alguns aspectos do nazismo, como sua doutrina de superioridade racial, alguns grupos judaicos o acusam de ter fechado os olhos para as atrocidades do regime.

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