Cidade do Vaticano Com uma reação sem precedentes, o Vaticano, através de uma declaração do porta-voz do Papa, Joaquín Navarro Valls, advertiu ontem aos Estados Unidos sobre a ''grave responsabilidade'' que assumem ''ante a História'' depois do ultimato que o presidente George W. Bush deu a Saddam Hussein, obrigando-o a escolher entre o exílio e a guerra.
''Aquele que decide que todos os meios pacíficos que o direito internacional põe à sua disposição estão esgotados assume uma grave responsabilidade perante Deus, ante sua consciência e ante a História'',afirmou o Vaticano numa declaração escrita.
A declaração do porta-voz da Santa Sé foi divulgada poucas horas depois do discurso de Bush ànação, no qual o presidente norte-americano anunciou o ultimato de 48 horas a Saddam Hussein.
A reação, anunciada pelo próprio Vaticano devido ''aos últimos acontecimentos no contexto internacional'', lembra claramente aos Estados Unidos que optar por uma intervenção militar no Iraque pode desencadear uma guerra de consequências sem precedentes.
O Papa emprega toda sua influência moral, diplomática, religiosa e humana para tentar impedir o conflito.
No domingo, num discurso comovente e profundamente humano, em boa parte improvisado, o sumo pontífice referiu-se à Segunda Guerra Mundial e ao que ela significou para gerações inteiras.
''Vivi a Segunda Guerra Mundial e graças a Deus sobrevivi. Por isso, tenho o dever de recordar a todos os jovens, a todos os que não tiveram essa experiência, tenho o dever de dizer: nunca mais a guerra!'', disse João Paulo II com voz clara e forte.
Há mais de um mês o pontífice e importantes prelados da Santa Sé exortam diariamente a comunidade internacional a encontrar uma saída pacífica para a crise com o Iraque e advertiram sobre os perigos de uma guerra não só do ponto de vista humano, mas religioso.
O Papa João Paulo II recordou ''aos membros das Nações Unidas e em particular aos que formam parte do Conselho de Segurança que o uso da força repreenta o último recurso depois de esgotadas todas as soluções pacíficas, como destaca a Carta das Nações Unidas''.

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