O documento tão prometido pelo Papa João Paulo II sobre o extermínio de judeus pela Alemanha nazista e a culpa da Igreja no anti-semitismo será publicado amanhã, anunciou ontem o Vaticano.
O texto deve permitir o esclarecimento do passado e explicar em especial a passividade da Igreja Católica frente ao Holocausto, um silêncio pelo qual a comunidade judaica continua esperando desculpas.
O documento foi anunciado por João Paulo II à comunidade judaica americana em setembro de 1987, durante uma visita a Miami (Flórida). Foi redigido baseando-se especialmente em um projeto preparado por um grupo de trabalho da conferência episcopal alemã.
Esse primeiro projeto reconhecia pela primeira vez a responsabilidade da Igreja na perseguição de judeus ao longo da história, até a ‘‘soah’’ (extermínio) cometido pelos nazistas.
O Papa anunciou o texto um ano depois da visita histórica à sinagoga de Roma a 13 de abril de 1986, que segundo o Vaticano assinalava ‘‘o começo de uma nova época’’ das relações entre cristãos e judeus.
Desde São Pedro, nenhum Papa tinha entrado numa sinagoga.
No final de outubro passado, por ocasião do simpósio no Vaticano sobre o antijudaísmo, João Paulo II condenou energicamente ‘‘os sentimentos de hostilidade’’ dos cristão para com os judeus, que impediram uma atitude de resistência às perseguições nazistas.
O texto será apresentado segunda-feira à imprensa pelo presidente do Conselho Pontifício para a unidade dos cristãos e da Comissão Pontifícia para as relações com o judaísmo, cardeal australiano Edward Cassidy.

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