Arquivo FolhaCatacumbas foram zonas funerárias nas quais eram enterrados os membros das primeiras comunidades cristãsO lugar-comum segundo o qual os primeiros cristãos se refugiavam nas catacumbas foi definitivamente deixado de lado pelo primeiro livro sobre essas sepulturas oficialmente autorizado pelo Vaticano e apresentado ontem em Roma.
‘‘A curiosa crença de que as catacumbas serviram aos primeiros cristãos como local de habitação ou refúgio na época das perseguições romanas começou a estender-se entre os séculos XVI e XVII’’, afirma o livro, intitulado ‘‘As catacumbas cristãs de Roma’’.
‘‘Esta lenda foi alimentada, entre outras coisas, por uma falsa interpretação de certos textos antigos, nos quais se afirma que os papas haviam passado estadas nos ‘cemitérios’ (palavra, que em sua origem grega, significa dormitório), e das crônicas sobre o falecimento do Papa Sixto II, morto junto com seus diáconos na zona da catacumba de São Calixto’’, segundo o livro, publicado em vários idiomas pela editora alema Schnell e Steiner com o consentimento do Vaticano.
‘‘Na realidade, as catacumbas foram exclusivametne zonas funerárias nas quais eram enterrados os membros das primeiras comunidade cristãs’’, acrescenta.
O livro, escrito pelos especialistas da Comissão Ponfícia Vincenzo Fiocchi Nicolai, Fabrizio Bisconti e Danilo Mazzoleni, acaba também com a interpretação mais extensa da palavra ‘‘catacumba’’, a de uma alteração de ‘‘catatumba’’, palavra procedente de kata e tumba, ou seja, cavidade subterrânea.
Segundo os especialistas do Vaticano, a expressão grega kata kumbas (perto das cavidades) indicava um lugar preciso da periferia de Roma.
‘‘Nessa zona, a partir do século III, foi cavado um dos mais importantes cemitérios subterrâneos da cidade, o de São Sebastião, chamado precisamente ‘cymiterium catacumbas’ (cemitério das catacumbas)’’, precisam os especialistas.
Esse nome, acrescentam, foi atribuído posteriormente a todos os cemitérios com as mesmas características.
O arcebispo Francesco Marchisano, presidente da Comissão Pontifícia de arqueologia sacra, escreveu no prefácio do livro que este deve ser considerado a ‘‘edição oficial sobre as catacumbas cristãs de Roma’’.
‘‘Foi realizado visando o Jubileu do ano 2000, diretamente por responsáveis da Comissão, criada em 1852 pelo Papa Pio IX para estudar, guardar e conservar esses testemunhos da cristandade dos primeiros séculos’’, acrescentou.
As pesquisas dos especialistas do Vaticano demonstraram que os cristãos da época continuavam mantendo tradições pagãs. Por exemplo, enterravam, às vezes, seus parentes com moedas nos bolsos para que estes pudessem pagar a Caronte, o barqueiro do inferno encarregado de transporar em sua barca as almas dos mortos, segundo a mitologia grega, etrusca e romana.

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