Vaticano denuncia exageros em curas
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
France Presse Da Cidade do Vaticano 
O Vaticano advertiu ontem os bispos, sacerdotes e fiéis sobre os abusos que se cometem no campo das curas religiosas. Em um documento da Congregação Vaticana para a Doutrina da Fé, autorizado pelo Papa, denuncia-se a difusão de um fenômeno novo: a multiplicação de reuniões para rezar, em ocasiões ligadas a comemorações litúrgicas, com o objetivo de obter a cura de Deus.
A congregação lembra que a oração dos fiéis que pedem a cura própria ou para outros é louvável, e que inclusive a mesma Igreja, em sua liturgia, pede ao Senhor pela saúde dos enfermos.
O recurso à oração não exclui, ao contrário, solicita ao uso de meios naturais úteis para conservar e recuperar a saúde.
O texto frisa que o problema nasce quando as reuniões para rezar se organizam somente entre enfermos para obter curas milagrosas, ou quando os fiéis solicitam rezas para a cura no final da comunhão eucarística com o mesmo objetivo.
Nesse contexto, a Congregação oferece uma série de disposições disciplinares, que devem ser respeitadas e vigiadas pelo bispo local.
O documento critica duramente todas as formas de histerismo, de teatralidade, de artificialidade ou sensacionalismo durante as reuniões de oração para obter curas de Deus.
O bispo local continua sendo o encarregado de autorizar o uso dos meios de comunicação, em particular a televisão, para esses casos. É também o único que pode dar autorização aos sacerdotes para exercer o exorcismo.
A autoridade religiosa deverá necessariamente intervir com autoridade, afirma o texto, nos casos de abuso e nos casos de escândalo evidente ante a comunidade dos fiéis.
O documento reconhece, como um fato adquirido, as curas ocorridas em lugares de oração, como os santuários, que fazem parte da história e da tradição da igreja católica.
Contribuíram durante a antiguidade e na Idade Média para popularizar as peregrinações a certos santuários que são famosos por essa razão, como o de Santigo de Compostela e outros, diz a Congregação.
O mesmo fenômeno se reproduz há um século em Lourdes, lembra o texto.
Personalidades como o arcebispo-curandeiro e exorcista do Zâmbia, Emmanuel Milingo, foi privado recentemente de suas funções de Delegado do Conselho Pontifício para os Migrantes, por suas atividades.
Outros membros de determinados movimentos carismáticos, alguns da América Latina, podem ser afetados, segundo estimativas de especialistas do Vaticano.


