O Vaticano planeja aproveitar a conferência das Nações Unidas sobre racismo, que começa amanhã, para defender seu ponto de vista de que as experiências com embriões humanos poderiam gerar uma nova forma de escravidão. A Santa Sé, que divulgou ontem uma espécie de documento para indicar sua posição perante a conferência de oito dias, abordou também o assunto das compensações para as pessoas cujos ancestrais foram escravos. O Vaticano considerou que essa questão não é de solução simples. Alguns delegados do Vaticano estarão presentes ao foro internacional.
O documento expressou preocupação pelo que a Santa Sé considerou como ''novas e dramáticas formas de discriminação'', incluindo nelas até ''as crianças não nascidas, como sujeitos de experimentação e intervenção tecnológica''. Citou como exemplos dessa nova discriminação a procriação artificial, o uso de embriões ''supérfluos'' e a ''chamada clonagem terapêutica''.
''Há aqui um risco de que surja uma nova forma de racismo, pois o desenvolvimento destas técnicas poderia levar à criação de uma 'subcategoria de seres humanos', basicamente para a conveniência de outros'', alertou o Vaticano. ''Isto poderia ser uma nova e terrível forma de escravidão.''
''Lamentavelmente, não se pode negar que a tentação da eugenia ainda está latente, especialmente se os poderosos interesses econômicos a explorarem'', acrescenta o documento, que pede aos governos e cientistas que permaneçam vigilantes contra a tentativa de criar um ''melhor'' ser humano através da manipulação genética.
Além disso, durante a fase preparatória da Conferência de Durban, a Santa Sé insistiu sobre os problemas dos emigrantes.

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