São Paulo - O Vaticano tornou pública ontem uma advertência ao padre salvadorenho Jon Sobrino, jesuíta e um dos pioneiros da teologia da libertação -teoria que embasou a esquerda católica e cujo principal expoente no Brasil é Leonardo Boff.
O documento expedido pela Congregação para a Doutrina da Fé, dicastério que se originou do Santo Ofício e que era presidido pelo cardeal Ratzinger antes de ele se tornar o papa Bento 16, contém a conclusão da análise de duas obras teológicas de Sobrino.
Segundo o texto, os livros ''Jesuscristo Liberador - Lectura histórico-teológica de Jesus de Nazaret'' (Jesus Cristo libertador - leitura histórico-teológica de Jesus de Nazaré) e ''La Fe en Jesucristo'' (a fé em Jesus Cristo) distanciam-se da fé católica. O texto afirma ainda que o conteúdo das obras pode ser perigoso para os fiéis.
Entre as críticas específicas aos escritos de Sobrino estão, sempre segundo o documento da Santa Sé, a tendência de ''diminuir o valor (...) da divindade de Jesus Cristo'' e uma valorização em demasia ''do componente histórico da figura de Jesus, separando-a de sua dimensão divina''.
A advertência, no entanto, afirma que há um valor nas ''preocupações do autor com os pobres''.
Segundo o também jesuíta José María Tojeira, reitor da Universidade Centro-Americana de San Salvador, Sobrino recebeu a notificação com ''serenidade e tranquilidade'' e está refletindo sobre ela.
Segundo contou ao ''Corriere della Sera'' o padre Italiano Federico Lombardi, diretor de Imprensa do Vaticano, ''Sobrino é um homem que que viu de perto a experiência dramática de seu povo, por isso desenvolveu uma ''cristologia de baixo' e cultivou uma sintonia espiritual profunda com a humanidade de Cristo''. Mas observa que isso ''não deve chegar ao ponto de deixar de lado ou desvalorizar a dimensão que une Cristo a Deus''.

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