Genebra- O Vaticano está preocupado com as consequências políticas e de segurança geradas pela pior crise econômica dos últimos 60 anos. Declaração enviada pela Santa Sé à Cúpula da ONU e aos governos alertam para as repercussões sociais da recessão e mesmo para o avanço da democracia. A declaração é assinada pelo arcebispo Silvano Tomasi, representante do Vaticano na ONU e considerado como uma das mais altas autoridades da Igreja no mundo diplomático.
''Quando amplos segmentos de uma população nacional sentem seus direitos econômicos e sociais frustrados, a perda de esperança ameaça a paz'', afirmou o arcebispo. ''Períodos de crises severas na economia têm sido caracterizado por uma surgimento de governos com compromissos dúbios em relação à democracia'', disse Tomasi. ''A Santa Sé ora para que tais consequências sejam evitadas na presente crise, já que poderiam ser ameaças sérias à difusão dos direitos humanos'', alertou.
Analistas atribuem a popularidade dos partidos fascistas nos anos 30 em parte aos problemas econômicos vividos por vários países após a crise de 1929. No ano passado, a crise alimentar gerou protestos violentos em diversos países e ainda gerou a queda do primeiro-ministro do Haiti. Diante da atual crise, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 50 milhões de pessoas poderão perder seus empregos até 2010.
O Vaticano alerta que o principal impacto da crise será sentido nos países pobres. Citando um novo documento do Banco Mundial, a Santa Sé alerta que 53 milhões de pessoas cairão para baixo da linha da pobreza em 2009. No ano passado, outros 130 milhões de novos pobres foram gerados pela crise alimentar e a recessão. A meta de reduzir a pobreza pela metade até 2015, portanto, estaria gravemente afetada. O Vaticano ainda teme a queda de remessas e de ajuda ao desenvolvimento diante da crise.

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