VARIEDADES - 'Vida de Menina' vence Festival de Gramado
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de agosto de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Gramado<br> Especial para a Folha 
O grande vencedor do 32º Festival de Gramado Cinema Brasileiro e Latino foi ''Vida de Menina'', dirigido por Helena Solberg. O filme levou com méritos os Kikitos de melhor longa metragem, roteiro, fotografia, música, direção de arte e prêmio do júri popular. O ótimo uruguaio ''Whisky'', que fechou a mostra da categoria dos latinos como um dos favoritos, levou Kikitos de melhor filme, atriz e júri popular. O argentino Javier Torre foi considerado melhor diretor por ''Vereda Tropical''. O filme recebeu ainda o prêmio para melhor ator, o também argentino Fabio Aste. ''Suíte Habana'' foi o melhor segundo o júri da crítica. Outro brasileiro bem recompensado foi ''Filhas do Vento''. Ficou com todos os prêmios de interpretação (Ruth de Souza, Lea Garcia, Milton Gonçalves, Talma de Freitas, Thais Araújo e Rocco Pitanga), direção e premio da crítica. O prêmio especial do júri foi para ''Araguaya, Conspiração do Silêncio''.
O júri de documentários elegeu ''O Cárcere e a Rua'', de Liliana Sulzbach, o melhor da categoria. Entre os curtas, ''Momento Trágico'' acabou como melhor filme e melhor direção, dividindo as preferências com ''Cinco Naipes'', melhor roteiro e ator. A curitibana Lala Schneider, muito aplaudida, recebeu o Kikito como melhor atriz de curtas pelo trabalho em ''Vovó Vai ao Supermercado'', único representante do Paraná nos curtas em 35mm.
Na festa de encerramento o frio fez as pazes com a meteorologia e a serra gaúcha retomou seu cenário natural, depois de uma semana de desalento para a economia local e frustração para quem veio assistir o festival esperando baixas temperaturas.
O outro convidado, precavido, evitou se expor e não compareceu. Apesar de programada, a vinda de Lula para a cerimônia de encerramento foi cancelada. O presidente esteve apenas em Porto Alegre. Alegação oficial: irregularidades nas contas da edição 2002 do festival, que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal. Para a grande maioria de jornalistas que cobriu Gramado, Lula não quis correr o risco de confronto com a classe artística por causa do projeto que cria a Ancinav (Agencia Nacional de Cinema e Audiovisual). Outra razão seria evitar outro desgaste com a imprensa por conta da nova lei de regulamentação da profissão de jornalista.
No último dia da mostra, a classe cinematográfica e representantes do Ministério da Cultura se reuniram para um debate sobre a polêmica Ancinav. O resultado prático, modesto, foi anunciado no palco primeiro na tradicional Carta de Gramado, assinada pelos cineastas e representantes de entidades. E depois pelo porta-voz oficial do MinC, Orlando Sena. Nas duas versões, por enquanto moderadas, a intenção de chegar a um consenso, longe do autoritarismo. As discussões ainda vão longe.


