Vapor atrasa esforços para religar energia
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terça-feira, 22 de março de 2011
Folhapress 
São Paulo - As autoridades japonesas conseguiram reconectar ontem a energia elétrica nos reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, mas o esforço crucial para religar o centro de comando e restaurar os sistemas de resfriamento foi adiado diante do aquecimento da piscina de combustível usado do reator 2.
A piscina onde fica cerca de 2 mil toneladas de combustível nuclear usado está sendo bombardeada com toneladas de água nos últimos dias, para evitar que a temperatura suba. Na noite de ontem (manhã em Brasília), a piscina liberava vapor, segundo o jornal ''The New York Times''.
O aumento da temperatura da água desta piscina, normalmente de 40º C, faz com que a água se dissipe e exponha as varetas de combustível nuclear usado. Sem o líquido, que as isola do exterior, elas ficam então suscetíveis às altas temperaturas e podem derreter. No pior dos cenários, podem liberar material altamente radioativo.
''Nós não podemos ficar sem fazer nada. Precisamos cuidar disso o mais rápido possível'', disse Hidehiko Nishiyama, vice-diretor da Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão, citado pelo ''New York Times''. A notícia veio pouco depois dos técnicos conseguirem conectar os seis reatores da central nuclear de Fukushima a uma linha de energia elétrica externa.
Diante das dificuldades em conter a temperatura e a pressão, apenas os reatores 5 e 6 recebem energia elétrica no momento. Os reatores 3 e 4, muito avariados, são os que representam mais problemas técnicos, assim como a unidade 2, da qual sai uma coluna de fumaça branca.
Dezenas de eletricistas, bombeiros e engenheiros lutam contra o tempo em Fukushima para evitar que a série de acidentes provocados pelo terremoto seguido de tsunami do último dia 11 de março não adquira proporções maiores, em consequência do superaquecimento do combustível radioativo dentro da central.
Mortos
Em meio aos esforços das autoridades para conter a crise nuclear, a Polícia Nacional do Japão afirmou que o número de mortos pelo terremoto e tsunami já chega a 9.099 em 12 prefeituras. Outras 13.786 estão desaparecidas.


