O resultado das eleições presidenciais americanas engatilhou uma série de especulações sobre o cenário internacional após a vitória do candidato republicano Donald Trump. Para traçar projeções globais, especialistas se deparam com uma incógnita: qual Trump assumirá a Casa Branca? O candidato, com discursos inflamados de tom populista e nacionalista, ou o eleito, de fala mansa, que prega união e que diz que governará para todos os americanos?
"Ainda não se sabe ao certo a visão dele em relação à política como um todo, até pelo fato de ele não ser um político de profissão", analisou o professor de Ética e Filosofia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Elve Cenci. Ele ressalta que, mesmo que queira, Trump terá dificuldades para colocar em prática todas as medidas radicais prometidas. "A maioria das promessas faz parte de um discurso fácil para o americano médio, pobre, que se sente prejudicado pelo fato de ter empobrecido nos últimos tempos", comentou.
O eleitor de Trump, segundo Cenci, nutre um sentimento de saudosismo pela potência americana até os anos 1970. "Dos anos 1950 até 1970, 35% da riqueza do país estavam na mão dos 10% mais ricos. Hoje, esse percentual já chega aos 50%. A Hillary [Clinton] representava o status quo, a continuação desse empobrecimento. Esse foi um dos motivos para o resultado das urnas."
Para Cenci, os americanos vão ter a experiência de ter um governante com perfil muito parecido ao de muitos presidentes latinos. "Os americanos vão conhecer o que a gente já conhece de longa data na América Latina: a figura do caudilho populista", comparou.
O professor também comenta sobre os efeitos da vitória de Trump para o Brasil. "Trump confere pouca importância para a América Latina. Nessa mentalidade, o Brasil não tem destaque algum", julgou. Como consequências diretas, Cenci lista as questões ambientais, menosprezadas pelo republicano, e o protecionismo no comércio, que pode afetar a produção brasileira.

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