Vamos discutir a poupança, diz Lula
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Patrícia Campos Mello e Nalu Fernandes<BR> Agência Estado 
Nova York - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem a possibilidade de mudar o cálculo de rentabilidade da caderneta de poupança. Nós temos de pensar, não podemos permitir que os poupadores tomem prejuízo no Brasil, nós precisamos defender a poupança, disse, durante seminário sobre o País em Nova York.
Muitos analistas têm alertado para o fato de que a tendência de forte queda da taxa básica de juros (Selic) beneficiará a poupança em detrimento de outras modalidades de aplicação financeira. Isso porque a poupança tem rendimento garantido por lei de 6% ao ano, mais a variação da TR.
Setores do governo já vem discutindo o tema reservadamente, mas ontem foi a primeira vez que Lula admitiu publicamente a preocupação. O presidente afirmou que vai ter uma reunião com a equipe econômica quando chegar ao País para ver como fica. Vamos discutir o que vamos fazer, porque eu também não posso adivinhar.
Mas nós já mexemos dois anos atrás, quando descobrimos que gente que tinha muito dinheiro queria pôr na poupança. E nós mexemos para garantir a poupança apenas para os pequenos poupadores, aqueles que precisam da poupança. Aqueles que têm dinheiro que façam outro tipo de investimento, afirmou.
Sobre a crise global, Lula disse que o momento é propício para que sejamos mais ousados. O presidente acrescentou que sabe da gravidade da crise. Segundo ele, um problema crucial para a economia mundial é a falta do crédito.
De acordo com Lula, a estatização de bancos seria uma saída também para os EUA. Mas sei que (essa sugestão) é como se fosse um palavrão, disse. Outra alternativa, segundo Lula, seria o Estado assumir a responsabilidade de criar bancos públicos, como os que existem no Brasil.
A questão, continuou Lula, é que o dinheiro que sai (dos Estados indo para os bancos) tem ido para os EUA para a compra de títulos (públicos).


