Valeu investimento em Marcos Pontes, diz Lula
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Folhapress 
Brasília e Rio de Janeiro - Numa conversa transmitida ao vivo pela agência de notícias do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao astronauta Marcos Pontes que ''o que nós gastamos (com a viagem) é pouco diante do que isso pode representar para a ciência brasileira'', comparou-o a Ayrton Senna e pediu uma mensagem de ''esperança'' às crianças brasileiras.
A conversa de 14 minutos durou mais que o previsto, e a preocupação do governo com o espetáculo midiático era constante. Pouco antes de a conversa ir ao ar, o diretor técnico-científico da Agência Espacial Brasileira, Raimundo Mussi, disse, com o microfone aberto: ''Recomendei ao Pontes para flutuar o máximo possível''.
Lula destacou o significado da missão na auto-estima da população. Tranquilo, Pontes afirmou que ''aguarda ansiosamente'' para chegar ao Brasil e disse que sua missão pode impulsionar o programa espacial brasileiro.
Lula ainda brincou com a situação do Noroeste, time de Bauru (terra de Pontes), que andaria ''mal das pernas''. O time está em terceiro no Paulista, à frente do Corinthians de Lula, o sexto.
Alunos da Escola Americana do Rio de Janeiro também conversaram com Pontes ontem. Eles foram selecionados pelo projeto Ariss (Amateur Radio on International Space Station), que viabiliza a comunicação de estudantes com astronautas em órbita por meio de radioamadores.
O bate-papo aconteceu nos pouco menos de dez minutos em que a ISS (Estação Espacial Internacional) sobrevoava o Rio de Janeiro. Maria Consuelo Galvez, 10 anos, perguntou a Pontes quantas vezes ele tomava banho, durante a expedição. Depois da gargalhada geral, ele respondeu que não toma nenhum. Já Giorgio Rajão, 13, achou estranho que, na época em que Pontes era criança, não houvesse simuladores de vôo. O menino ficou encantado com a possibilidade de conversar com Pontes. ''Vai marcar a minha vida.''
Qualquer escola pode se candidatar a conversar com astronautas em órbita (www.arissbr.org).
O astronauta brasileiro Marcos César Pontes não deve sentir os efeitos colaterais de quem passa longos períodos no espaço, como o russo Valery Tokarev e o americano Willian McArtur, que estão há seis meses sem gravidade. Segundo o general Valery Korzun, primeiro vice-comandante do Centro de Treinamento Gagari, o brasileiro não sentirá a ação forte da gravidade porque ficou pouco tempo na Estação Espacial Internacional (ISS).
Quando retornarem ao solo, no Cazaquistão, no próximo sábado, uma equipé médica fará exames médicos dentro de uma tenda montada pela equipe russa. Um deles será um eletrocardiograma.


