Dois dias depois de o Conselho de Segurança da ONU ter conclamado Índia e Paquistão a iniciar negociações para resolver suas diferenças, o primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, declarou ontem em Nova Délhi que está pronto para dialogar com o governo paquistanês.
Numa visita à Rajya Sabha, o Parlamento, Vajpayee reiterou que não permitirá que nenhum outro país atue como mediador na disputa entre Índia e Paquistão pela região himalaia da Caxemira. Ele criticou a resolução do CS, que, no sábado, condenou os ensaios nucleares realizados pelos dois países e os conclamou a interromper seus programas atômicos.
‘‘É uma resolução que não ajuda a resolver os problemas que o CS pretende atacar’’, disse, acrescentando que a recomendação para que a Índia suspenda os testes nucleares não fazia sentido, pois Nova Délhi já declarou uma moratória unilateral. Vajpayee afirmou ainda que o país está tentando negociar com o Paquistão desde janeiro, mas não obteve respostas de Islamabad.
O governo indiano considerou inaceitável que o CS tenha pedido a suspensão dos programas nucleares e de mísseis. Vajpayee questionou a autoridade do CS para decidir sobre temas de desarme e solicitou a realização de uma convenção geral e ampla sobre armas nucleares.
No domingo, Índia e Paquistão rejeitaram a condenação do CS. O governo paquistanês criticou o fato de a resolução não ter levado em consideração o motivo da disputa entre os dois países: o território da Caxemira, pelo qual já travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947. Dois terços da região pertencem à Índia e um terço ao Paquistão.
Suécia, Brasil, África do Sul, Nova Zelândia, Eslovênia e Irlanda apresentarão hoje, em Estocolmo, uma ‘‘iniciativa conjunta de desarmamento nuclear’’, anunciou ontem o ministério sueco das Relações Exteriores em um comunicado.
No sábado foi divulgada uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas condenando os testes nucleares realizados pela Índia e Paquistão e pedindo para que esses países tomem medidas concretas para evitar uma corrida armamentista.
A resolução 1.172 foi adotada unanimemente pelos 15 membros do Conselho de Segurança, onde a Suécia, Brasil e Eslovênia participam como membros não-permamentes.
O Conselho chegou a um acordo depois das difíceis negociações durante as quais o Brasil pressionou as cinco potências nucleares declaradas - Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China, que também são membros permanentes - a comprometerem-se novamente com o desarmamento atômico.France PresseRajya SabhaBihari Vajpayee não admite mediador na disputa por CaxemiraReuters e
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