'Vaca louca' pode ter novo método de diagnóstico
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sexta-feira, 24 de novembro de 2000
France Presse De Paris 
Uma simples proteína do sangue pode servir de base para o diagnóstico da doença da Vaca Louca e da enfermidade humana de Creutzfeldt-Jakob, segundo estudos científicos suíços publicados ontem pela revista britânica Nature.
A equipe do professor Adriano Aguzzi, do Hospital Universitário de Zurique, informou a descoberta das propriedades inesperadas de uma proteína do sangue dos seres humanos e dos ratos, o plasminógeno que, depois de sofrer transformações, intervém na destruição dos coágulos sanguíneos.
A proteína em questão tem a particularidade de se unir especificamente com a forma anormal do prion, característica das encefalopatias espongiformes transmissíveis, chamadas de enfermidades de priontia espongiforme bovina (EEB, conhecida como enfermidade da vaca louca), e enfermidade humana de Creutzfeldt-Jakob (MCJ) clássica ou sua nova variante (nvMCJ) ligada ao consumo de produtos bovinos contaminados pela EEB.
Estas enfermidades, todas mortais, se caracterizam pela presença de priones patológicos, forma anormal e infecciosa de uma proteína, o prion, normalmente presente no cérebro e cuja função se desconhece até agora.
Os cientistas uniram pequenos elementos magnéticos à proteína a fim de poder acompanhar seus movimentos. Mesclaram depois tecido cerebral de ratos infectados com o agente do tremor do carneiro, forma de encefalopatia espongiforme dos ovinos.
Comprovaram que a proteína se unia exclusivamente a formas anormais de prion (PrPSc) do tremor, entretanto, não fica junto aos priones normais.
Os experimentos feitos com tecido do cérebro de pacientes vítimas da enfermidade de Creutzfeldt-Jakob tiveram os mesmos resultados.
Esta propriedade inesperada da dita proteína sanguínea, que determina sua capacidade para se unir com surpreendente eficácia somente aos priones patológicos, poderia ser explorada para fins de diagnóstico, disse o professor Aguzzi.
Como o sangue é seguramente portador do prion da EEB, a proteína poderia ser utilizada para melhorar as técnicas destinadas a separar o prión dos produtos derivados do sangue, acrescentou.
O plasminógeno é o primeiro fator endógeno (presente no corpo) que distingue entre o prion normal e o anormal (presente no corpo), afirmaram os autores da pesquisa.
Este trabalho é interessante para as perspectivas de diagnóstico, declarou o professor Dominique Dormont, especialista francês das enfermidades de prion.
Não permite chegar a conclusões a respeito de aplicações imediatas, acrescentou, explicando que a força do vínculo entre a proteína e o prion anormal tem que ser avaliada.
De fato, o prion anormal é mais fácil de detectar no cérebro doente, onde está concentrado, do que em outros órgãos, onde a quantidade é menor.


