Uso da coca pela Coca-Cola é questionado
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terça-feira, 20 de dezembro de 2005
France Presse 
Cochabamba - Evo Morales, líder dos ''cocaleros'', negou-se a aceitar que a folha de coca seja reconhecida apenas para a fabricação da Coca-Cola e proscrita para usos tradicionais dos cultivadores do Chapare boliviano.
Um dia depois de ganhar as eleições gerais na Bolívia, o líder indígena insistiu: ''Não é possível que a folha de coca seja usada pela Coca-Cola e proibida para nós''.
Morales anunciou que, ao assumir o poder no dia 22 de janeiro de 2006, liderará uma batalha internacional para retirar a coca ''em seu estado natural'' da lista de venenos da Organização das Nações Unidas.
O ''cocalero'', que se tornou domingo o primeiro presidente indígena da Bolívia, um país de população de maioria nativa, também anunciou uma luta pelo reconhecimento internacional, com base em estudos científicos, das propriedades medicinais e nutritivas da folha de coca, assim como a ''dessatanização'' de seu uso ''em estado natural''.
Morales referiu-se aos Estados Unidos, cujo governo advertiu na semana passada que não aceitará uma variação na política antidroga boliviana: ''A cocaína e o narcotráfico não fazem parte da cultura boliviana. A luta contra o narcotráfico é um falso pretexto para que os Estados Unidos instalem bases militares (na Bolívia). Não estamos de acordo e essas políticas têm de ser revisadas''.
Morales também faz duras críticas à draconiana lei antidrogas 1.008, que limita o cultivo a 12.000 hectares de coca destinada a usos tradicionais nos Yungas, vales agrícolas perto de La Paz.


