São Paulo - A Tepco (Tokyo Electric Power Company), operadora da usina japonesa de Fukushima Daiichi, que está no centro de uma grave crise nuclear, falsificou dados de segurança e ''desonestamente'' tentou esconder problemas na área.
A informação está no documento ''Lições aprendidas com o Escândalo da Usina Nuclear da Tepco'', divulgado pela própria empresa e ao qual o jornal britânico ''The Times'' teve acesso.
No documento, a Tepco culpa o que chama de ''má conduta'' do escândalo de 2002 à superconfiança de seus engenheiros sobre seu conhecimento nuclear. Sua ''mentalidade conservadora'' os levou a não relatar problemas na área de segurança, o que levou então a ''uma cultura inadequada de segurança''.
Neste ano, cinco executivos da Tepco pediram demissão em função da suspeita de falsificação de registros de segurança em usinas nucleares, e cinco reatores foram obrigados a cessar suas operações.
Quatro anos depois, a Tepco voltou a enfrentar problemas. O governo ordenou que a empresa checasse seus dados passados depois de ter sido relatada a falsificação de temperaturas de água de resfriamento na usina Fukushima Daiichi em 1985 e 1988, e de os dados falsificados terem sido usados em inspeções obrigatórias da usina concluídas em outubro de 2005.
Diplomatas norte-americanos criticaram fortemente o japonês Tomihiro Taniguchi, que foi até o ano passado diretor de segurança da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), especialmente em relação ao setor de energia nuclear em seu próprio país.
''Nos últimos dez anos o Departamento tem sido tremendamente prejudicado pela falta de habilidades do (vice-diretor geral) Taniguchi em termos de gestão e liderança'', disse um telegrama de 1º de dezembro de 2009, um dos enviados da Embaixada dos EUA em Viena a Washington, obtidos pelo WikiLeaks e vistos pela agência de notícias Reuters. A AIEA não comenta o teor de telegramas vazados.(Folhapress)

mockup