Usina japonesa sofre acidente nuclear
Associated Press
De Tóquio
O pior acidente nuclear da história do Japão expôs, ontem, à radiação pelo menos 12 pessoas em uma usina de processamento de urânio e pode ter provocado reações anormais que até agora estavam fora de controle. Três funcionários foram internados, dois deles correndo risco de vida pela exposição à radiação. Pelo menos outras nove pessoas também ficaram expostas à radioatividade após um acidente considerado crítico que envolveu 16 quilos de urânio da usina do povoado de Tokaimura, na prefeitura de Ibaraki, cerca de 110 quilômetros a nordeste de Tóquio.
O secretário-chefe do gabinete, Hiromu Nonaka, disse ontem que há um grande risco de um incidente crítico o que significa o ponto em que uma reação nuclear em cadeia se torna auto-sustentável.
Cento e cinquenta pessoas que moram nas proximidades da usina foram retiradas de suas casas e cerca de 313 mil pessoas em um raio de 10 quilômetros receberam ordem de permanecer trancadas em casa.
As autoridades japonesas anunciaram que começaram, na primeira etapa de uma operação para tentar conter o grave acidente nuclear, a extrair a água de resfriamento que se filtra desde a usina para reduzir o nível de radiação que era 15 mil vezes superior ao normal, ou 3,1 milisieverts (mSv - unidade de medida da radiação) de nêutrons por hora, a dois quilômetros de distância da instalação.
Uma unidade de guerra química da Força Terrestre de Autodefesa do Japão (GSDF) foi enviada para a área, mas de acordo com funcionários da Defesa, o GSDF não tem peritos em radiação e as roupas usadas pela unidade não são à prova de radiação.
Apesar de não ter recebido nenhuma solicitação oficial, o presidente norte-americano, Bill Clinton, disse que os Estados Unidos farão tudo o que estiver a seu alcance para ajudar o Japão. A agência de notícias Kyodo informou, citando altos funcionários do governo, que o Japão está considerando pedir ajuda das Forças Armadas dos Estados Unidos.
A Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA) decidiu ontem à tarde enviar uma equipe de peritos à usina de Tokaimura apesar de considerar que não se trata de um acidente de grandes proporções. Segundo David Kyd, porta-voz da AIEA, o acidente, em uma escala de 0 a 7, parece classificar-se entre 2 e 3.
Um acidente de nível 2 tem efeitos limitados ao lugar da fuga radioativa, o nível 3 implica efeitos além do lugar, com consequências ao ambiente e aos seres humanos.
De acordo com fontes médicas japonesas, os dois funcionários que estão em estado grave absorveram radioatividade equivalente a 8 milisievert por hora, quando o máximo de radiação a que esses trabalhadores podem ser expostos é de 1 milisievert por ano. É como se eles tivessem sido expostos a uma explosão atômica, disse um médico. A absorção de 4 milisievert provoca a morte em 30 dias.





