Os candidatos com maiores chances no Uruguai buscam identificação com performance vitoriosa de De La Rúa
France PresseEsq. p/ a dir.: O conservador Luiz Alberto Lacalle (Partido Nacional), o liberal Jorge Batlle (Colorado) e o esquerdista Tabaré Vásquez (Frente Ampla)

Raúl Ronzoni
IPS
De Montevidéu

Cinco dias antes do primeiro turno das eleições nacionais no Uruguai, no domingo, os candidatos com maiores possibilidades de chegar ao governo buscam capitalizar o triunfo de Fernando de La Rúa na Argentina.
O candidato do esquerdista Encontro Progressista-Frente Ampla (EP-FA), Tabaré Vásquez, reuniu-se na segunda-feira em Buenos Aires com De La Rúa, poucas horas depois que este fora eleito presidente da Argentina.
O liberal Jorge Batlle, candidato do governista Partido Colorado, havia se reunido uma semana antes com o político argentino.
Vázquez é apontado em todas as pesquisas como favorito para conquistar maioria relativa na eleição, com até 36% das intenções de voto, contra 27% a 28% de Batlle.
Em terceiro lugar aparece o conservador Luiz Alberto Lacalle, do co-governista Partido Nacional, com 20% a 22% das preferências. Entre 10% e 12% dos entrevistados se declararam indecisos ou não responderam aos pesquisadores.
Nestas eleições haverá, pela primeira vez, um segundo turno entre os dois candidatos mais votados, caso nenhum deles consiga a metade mais um dos votos válidos no próximo domingo.
Vázquez aproveitou sua reunião com De la Rúa para apresentar-se no Uruguai como um ganhador que já se prepara para governar e seguir dialogando com seu colega argentino.
Ficou acertado que os principais assessores econômicos do EP-FA se reunirão com os de De la Rúa logo depois das eleições de domingo no Uruguai.
‘‘Além do resultado, acreditamos que vamos ganhar, nossa força vai ter uma enorme incidência na vida política do país através de uma numerosa representação parlamentar’’, assinalou Vázquez logo depois da reunião.
O candidato uruguaio defendeu, também, que o EP-FA é o agrupamento uruguaio mais próximo da coalizão vencedora na Argentina e do Partido Socialista do Chile.
A Aliança argentina, pela qual De La Rúa saiu candidato, reune a centrista União Cívica Radical (UCR) e a Frente País Solidário (Frepaso), uma coalizão centro-esquerdista liderada pelo vice-presidente eleito, Carlos Alvarez.
Vázquez explicou que entre a esquerda uruguaia e a Aliança ‘‘não existem coincidências ideológicas’’, mas ‘‘valores e aspectos vinculados a questões programáticas’’.
‘‘Estamos por trás de grandes valores de um projeto político, como a solidariedade e a justiça social’’, acrescentou.
‘‘Existe uma agenda comum na América Latina e acredito que nós, (o chileno Ricardo) Lagos e Tabaré (Vázquez) a interpretamos de maneira parecida. Falo de como responder aos problemas de crescimento, de igualdade, de justiça social’’, sustentou Alvarez depois da reunião.
Lagos, representante do socialismo moderado e candidato à presidência da governista União pela Democracia chilena, considerou que as pesquisas no Uruguai apontam tendências similares às que mostraram as eleições argentinas e ‘‘a que esperamos no Chile’’.
Batlle opinou que a vitória de De La Rúa foi ‘‘o triunfo da democracia, dos ideais liberais’’ e ‘‘de um homem que tem antecedentes políticos de vários anos e que representa esse grande partido que é a União Cívica Radical’’.
Nas últimas semanas, o candidato colorado tem insistido que os uruguaios devem escolher entre o liberalismo e o modelo marxista que a seu ver representa o EP-FA.
A coalizão de esquerda é formada, entre outros, por socialistas, comunistas, democrata-cristãos, independentes, ex-guerrilheiros e setores dissidentes dos partidos Colorado e Nacional.
Batlle sublinhou que o triunfo de De La Rúa garante que será mantida a lei de convertibilidade que em 1991 colocou o peso argentino em paridade com o dólar americano.
Essa ênfase se deve a que o candidato tem sustentado que uma vitória da esquerda no Uruguai pode levar a uma desvalorização.
Depois das eleições argentinas de domingo, Batlle enviou um telegrama de felicitações a De La Rúa, expressando sua ‘‘segurança de que com o trabalho comum que já iniciamos dias atrás, obteremos o grande destino que nossos povos almejam’’.
Lacalle, ao contrário de Vázquez e Batlle, distanciou-se dos resultados das eleições argentinas, e questionou a posição de seus adversários.
‘‘Parece-me lamentável e patético termos de nos misturar às coisas dos argentinos. Temos de conservar o equilíbrio’’, afirmou.
‘‘As coisas dos argentinos são solucionadas pelos argentinos e que os façam da melhor forma possível, as coisas nossas solucionamos nós’’, acrescentou.
Observadores políticos uruguaios divergem sobre a influência que o resultado argentino possa ter nas eleições do Uruguai.
O analista Agustín Canzani e o sociólogo Luis Costa Bonino consideram que a esquerda uruguaia obterá créditos com a vitória de De La Rúa, já que os eleitores serão influenciados pela tendência de mudança que marcou a derrota do Partido Justicialista, do presidente Carlos Menem.
O analista Oscar Botinelli opinou, por seu lado, que os eleitores uruguaios têm grande maturidade e não serão influenciados pelo que ocorreu na Argentina.

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