Uruguai terá segundo turno no dia 28
Ansa
De Montevidéu
O vencedor do primeiro turno da disputa presidencial uruguaia, o socialista Tabaré Vázquez, disse ontem que, se bater o colorado Jorge Batlle no segundo turno, porá em prática uma revolução cautelosa e privilegiará a integração dentro do Mercosul. Ele defendeu acordos de complementação produtiva dentro do bloco (integrado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Sua posição contrasta com a de Batlle, para quem o país deve buscar alianças fora da América do Sul para evitar a dependência em relação ao Brasil.
A Frente Ampla-Encontro Progressista, de Tabaré, obteve 38,4% dos votos, enquanto o governante Partido Colorado, de Batlle, ficou com 31,3%. Os dois candidatos disputarão o segundo turno no dia 28. A frente esquerdista conquistou a maioria simples das cadeiras do Congresso (com 12 no Senado e 40 na Câmara), um crescimento de 3 e 9 cadeiras, respectivamente. Os colorados mantiveram seus 10 senadores e 32 deputados. Os blancos, que obtiveram 21,3% dos votos, sofreram um duro revés: sua representação no Senado caiu de 10 para 7 cadeiras e na Câmara, de 31 para 22.
Tabaré disse que buscará acordos com outros setores para o segundo turno, mas sem abrir mão de seu programa. Ele procurou tranquilizar tanto os poupadores internos como os investidores e credores estrangeiros, afirmando que não afetará os depósitos bancários e manterá rigorosamente os pagamentos da dívida externa.
Estima-se que os depósitos no Uruguai (onde impera um estrito sigilo bancário, que Tabaré prometeu manter) cheguem a US$ 11 bilhões, dos quais metade seria de estrangeiros, principalmente argentinos. Na campanha eleitoral, os adversários de Tabaré têm acusado o dirigente socialista de ter intenções hostis em relação a tais depósitos, por causa de suas supostas posições marxistas.
As propostas da Frente Ampla incluem a reforma do sistema tributário, com a redução do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), que é de 23%. Parte dessa redução seria compensada com mudanças no imposto de renda das pessoas físicas: Que pague mais quem tem mais e que pague menos quem tem menos, afirmou Tabaré. Mas, numa nação avessa a grandes mudanças, onde políticos colorados e blancos se alternam no poder há mais de 170 anos, Tabaré ressaltou que, se vencer o segundo turno, as reformas serão graduais, sem traumas.





