Uruguai nega que tenha negociado com guerrilha
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Enrique Vidal, da France Presse 
MONTEVIDÉU - O governo uruguaio assegurou ontem que não fez nenhum tipo de contato ou negociação com o Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) para a libertação de seu embaixador no Peru, segundo um comunicado oficial referendado pelo presidente Julio Sanguinetti e seu Conselho de Ministros.
O documento de cinco pontos precisou que a libertação terça-feira de dois presumíveis guerrilheiros do MRTA detidos em Montevidéu foi decidida pelo Tribunal de Apelações Penal e obedeceu a um ato exclusivo do Poder Judiciário.
A libertação dos presumíveis membros desse grupo guevarista provocou mal-estar no governo de Lima que poucas horas depois chamou a consultas seu Encarregado de Negócios, Efraín Saavedra, ante a ausência de seu embaixador Guillermo del Solar.
A Chancelaria uruguaia fez o mesmo com seu embaixador libertado, Tabaré Bocalandro.
Existe no Uruguai uma clara separação de poderes entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário e a decisão de extradição é de competência do Poder Judiciário, enfatizou o documento.
O comunicado oficial recorda que o processo de deportação dos cidadãos peruanos, Alberto Samaniego e Silva Sonia Gora, transcorre desde o princípio de 1996. E na apelação da sentença de primeira instância dia 16 de maio deste ano, o Tribunal, depois de vários meses de estudo, adotou a decisão final de referência.
O Movimento de Libertação Nacional (MLN-Tupamaros), que nas décadas de 60 e 70 atuou no Uruguai com atos de guerrilha urbana, acha que o governo de Julio Sanguinetti interveio para a libertação dos dois presos.
Um líder tupamaro - o movimento está agora na legalidade e com representação parlamentar - destacou que o governo teve uma atitude destinada a aliviar a pressão, acrescentando que isto não deixa de ser um fato positivo.
Este governo teve a sensibilidade de voltar a fazer justiça e a tirar da prisão duas pessoas que estavam injustamente detidas, destacou o dirigente Jorge Quartino.


