Uruguai aprova descriminalização do aborto
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008
France Presse 
Buenos Aires- O Senado do Uruguai aprovou ontem a descriminalização do aborto no país, mas o presidente Tabaré Vásquez já anunciou que vetará a lei. O texto aprovado autoriza a mulher a interromper a gravidez durante os três primeiros meses de gestação por razões econômicas, familiares, etárias ou de saúde. A lei atual, de 1938, prevê prisão de até nove meses para a mulher que abortar -prática só permitida somente em casos de estupro ou risco de morte para a mãe, os mesmos previstos no Brasil.
O projeto, que dividiu o debate público no Uruguai, foi patrocinado pela própria coalizão governista, a Frente Ampla. Aprovado na semana passada por margem estreita (49 a 48) na Câmara dos Deputados, foi reenviado com mudanças pontuais ao Senado, onde já havia sido ratificado.
O placar de ontem no Senado marcou 17 votos a favor (todos da Frente Ampla) da lei e 13 contra, dos partidos de oposição Nacional e Colorado.
A lei tem apoio de 57% dos uruguaios, sobretudo jovens (65%), de nível socioeconômico alto (67%), votantes da Frente Ampla (72%) e sem religião (80%), apontou pesquisa da consultoria Interconsult em outubro. Disseram desaprovar a lei 42% dos entrevistados.
Para o instituto Cifra, a opinião pública sobre o tema se manteve estável nos últimos anos no Uruguai: cerca de metade da população é a favor da liberação do aborto e quatro em cada dez pessoas se opõem.


