Urso russo volta os olhos para a Ásia
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 1997
Agência Estado Moscou 
O presidente Boris Yeltsin inicia hoje uma visita de três dias à China como parte de esforços da Rússia para ampliar uma política externa vista em Moscou como demasiadamente dirigida a Washington.
Os Estados Unidos, única superpotência global, permanecem vitais na política russa. Mas a lua-de-mel que seguiu-se ao colapso da União Soviética acabou e a Rússia está olhando cada vez mais para outras direções.
Yeltsin tem feito vários ataques aos Estados Unidos nas últimas semanas e solidificado as relações com a Ásia e particularmente com a Europa.
A Europa, a América e a Rússia entraram numa nova era geopolítica em 1997, escreveu Alexei Pushkov, membro do Conselho de Política Externa e de Defesa, no jornal Nezavisimaya Gazeta.
Os sinais de que Moscou quer rever seu balanço na sua política externa incluiram um acordo no mês passado para manter reuniões regulares com os chefes de Estado da França e da Alemanha.
Yeltsin também declarou seu apoio a um embargo mundial às minas terrestres, endossado pela Europa mas não pelos Estados Unidos. Ele disse numa reunião do Conselho da Europa: não precisamos de um tio vindo de outro lugar.
A mudança na ênfase não se limita à Europa. A Rússia também está prestando cada vez mais atenção à Ásia. Yeltsin teve conversas informais com o primeiro ministro japonês Ryutaro Hashimoto no último fim de semana uma reunião que ajudou a quebrar o gelo na relação difícil entre seus países.
Hashimoto encorajou muito Yeltsin, concordando que eles devem tentar assinar um tratado de paz até o ano 2000 para acabar oficialmente com as hostilidades ainda decorrentes da Segunda Guerra Mundial.
O maior objetivo é fazer a Rússia entender que é uma importante potência asiática, disse Hashimoto durante as conversas com Yeltsin na Sibéria. Temos que mostrar o lado asiático da Rússia porque, sem a Rússia, a Ásia jamais será estável.


