Urnas confirmam Fernando de La Rúa
Urnas confirmam Fernando de La Rúa
Boca-de-urna dá 50% dos votos para o candidato da Aliança opositora; Duhalde acabaria com 35,8% e Cavallo com 10,5%.
Agência Estado
De Buenos Aires
France PresseO SUCESSORFernando de La Rúa, candidato da Aliança opositora, é cercado por jornalistas: sucessor de Carlos Menem tomará posse em dezembroPela quarta vez desde o retorno da democracia em 1983, os argentinos votaram ontem para presidente da república. O eleito, segundo as pesquisas, seria Fernando de La Rúa, candidato da aliança opositora UCR-Frepaso, que inflingiria a Eduardo Duhalde, o candidato do Partido Justicialista, também conhecido como Peronista.
Segundo várias pesquisas de boca-de-urna, Fernando de La Rúa teria conquistado por volta de 50% dos votos. O instituto SOFRES y IBOPE previu que de La Rúa ficará com 51,1% dos votos. Duhalde acabaria com 35,8% e o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, da Ação pela República, com 10,5%.
No momento de votar, ontem de manhã, o cauteloso de La Rúa eximiu-se de declarações específicas, restringiu-se a generalidades e pediu que Deus o ajudasse. O candidato também afirmou que a transição política será em ordem e o país estará começando um quarto período constitucional consecutivo, o que é um excelente sinal para o mundo.
De La Rúa teve ontem um sinal de que o presidente Carlos Menem pode fazer uma oposição moderada. Menem, pela primeira vez, mudou o discurso que fez ao longo de todo o processo eleitoral, quando insistiu em que de La Rúa iria desvalorizar o peso e acabaria com a paridade que a moeda mantém com o dólar. Tenho certeza que qualquer candidato que vencer manterá a convertibilidade, afirmou, quando se preparava para votar.
Desanimado e distante, Duhalde fez declarações durante o café da manhã. Com ar resignado, disse que não se havia comunicado com correligionários de outras províncias para não os incomodar em um dia complicado como este. Sentado ao lado de sua mulher, Hilda Chiche de Duhalde, que já declarou publicamente que ao deixar o poder voltaremos a viver, o candidato peronista recusou-se a fazer uma análise da situação econômica do país.
Ao longo deste ano, Duhalde sofreu a sabotagem interna do presidente Carlos Menem, seu inimigo político dentro do peronismo. Menem não participou da campanha e, sempre que pôde, desestabilizou sua base de poder.
Não terei nenhuma responsabilidade, havia alertado Menem horas antes das eleições sobre a eventualidade de uma derrota de Duhalde. Não sou eu o candidato, explicou. O presidente admitiu que chegou a hora de ser oposição, a qual, segundo ele, será construtiva, para permitir que a Argentina continue crescendo. O peronismo, costuma-se dizer, não aceita dois caciques simultâneos.
A eleição transcorreu sem maiores incidentes. A única exceção de destaque foi o momento em que votou o ministro do Interior Carlos Corach: dois de seus guarda-costas, com domicílio em outras províncias, votaram em Buenos Aires. O fato foi imediatamente denunciado por um fiscal da oposição. Corach, cujo ministério é o encarregado da organização das eleições, conferiu a infração e pediu desculpas por seus subordinados.
Os argentinos votaram com uma forte disposição para a mudança. Os motivos estariam na situação atual do país. Os dez anos de governo Menem proporcionaram o fim da inflação e uma grande abertura ao capital estrangeiro, embora com um grande custo social. O desemprego passou de 7% para 14,5% e a dívida externa aumentou de US$ 63 bilhões para US$ 150 bilhões, mesmo com a entrada para os cofres do Estado argentino de US$ 39 bilhões obtidos com as privatizações.
Segundo uma pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública (CEOP), 82,7% dos argentinos votaram preocupados pelo desemprego. A corrupção é a segunda causa de preocupações dos eleitores (63,6%), seguido da falta de segurança (61,9%) e os baixos salários (42,4%).
No ParanáEm Curitiba, o consulado argentino registrou apenas 27 eleitores. O movimento foi tranquilo durante todo o dia. O resultado da apuração que começou logo após o fechamento da urna, às 18 horas , foi enviado via e-mail para a Junta Nacional Eleitoral.
Em Foz do Iguaçu, 30 eleitores votaram e outros 320 justificaram o voto ontem. O consulado da Argentina funcionou entre as 9 horas e as 19 horas. Segundo o cônsul Oscar Alfredo Barreiro, a eleição foi tranquila no local e também em Puerto Iguazú, cidade argentina que faz fronteira com Foz do Iguaçu.





