BogotáO presidente da Colômbia, Alvaro Uribe Vélez, declarou ontem ''estado de emergência'' como medida urgente para preservar a segurança do país e frear a escalada terrorista da guerrilha das Farc. A decisão foi anunciada depois de um prolongado conselho de ministros celebrado na sede do Governo, no qual além disso se decretou um novo imposto, com o fim de arrecadar dinheiro para a luta das Forças Militares e demais órgãos de segurança contra os grupos ilegais.
O ''estado de emergência'' entrou em vigor a partir das 0 hora de segunda-feira durante 90 dias, prorrogáveis por dois períodos iguais se o presidente considerar adequado, segundo a Constituição.
O ministro do Interior e Justiça, Luis Fernando LondoÀo Hoyos, que fez o anúncio, justificou que ''nestes momentos excepcionais, as medidas são fáceis de compreender e foram amplamente previstas e dispostas no decreto de emergência''. Ele acrescentou que ''estamos enfrentando grupos armados cada vez com maior capacidade destrutiva e com possibilidades de ofender o povo colombiano até extremos mais que inquietantes''. Uribe e seu governo foram testemunhas, no dia da posse, dos atentados executados com lançadores de foguetes que causaram a morte de 21 pessoas em Bogotá, e de como alguns dos projéteis atingiram a Casa de NariÀo, sede da Presidência.
A primeira medida decretada no ''estado de emergência'' foi o ''imposto ao patrimônio'', o qual cobrará 1,2 por cento de juro a todos os colombianos com um patrimônio líquido declarado igual ou superior a 150 milhões de pesos (cerca de 57.000 dólares). Com este imposto, o Governo do presidente Uribe espera arrecadar dois bilhões de pesos (aproximadamente 778 milhões de dólares), com os quais não só poderá fortalecer os órgãos de segurança, mas fomentar o crescimento econômico e o emprego durante os dois próximos anos.
''O imposto entrará em vigor no próximo mês de outubro, vamos estabelecer os prazos requeridos porque é uma decisão difícil de tomar, recebemos grande respaldo da empresa privada'', disse o ministro de Fazenda, Roberto Junguito Bonnet.
A ministra de Defesa, Marta Lucía Ramírez, assegurou que os decretos adotados durante o ''estado de emergência'' serão revisados pela Corte Constitucional e pelo Direito Internacional Humanitário. A funcionária disse que sem a adoção de tal medida, a sociedade colombiana ficaria ''nas mãos dos grupos violentos e o perigo que exercem sobre os cidadãos e as forças armadas''.
Martínez reiterou que tanto o ''estado de emergência'' como o novo imposto fortalecerão principalmente os organismos de segurança e que no resto do ano haverá 100.000 novos soldados subalternos e policiais bacharéis, assim como 10.000 novos agentes profissionais da Polícia.
A declaração do ''estado de emergência'' indica, finalmente, que o Governo apresentará ao Congresso uma ''exposição ampla'' que a justifica e enviará à Corte Constitucional ''um exame com os decretos legislativos que sejam expedidos como consequência desta declaração''.

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