Uribe assume presidência na Colômbia
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terça-feira, 06 de agosto de 2002
Agência EFE 
BogotáAlvaro Uribe Vélez, advogado dissidente do Partido Liberal que acaba de completar 50 anos e que é considerado um político duro e uma máquina de calcular, assume hoje a presidência da Colômbia, substituindo o conservador Andrés Pastrana. Uribe foi eleito em 26 de maio no primeiro turno, com 53 por cento dos votos, vencendo o candidato oficial de seu partido, Horacio Serpa Uribe.
O dissidente liberal foi prefeito de sua cidade natal, Medellín, governador do estado de Antioquia, e desde muito jovem se considera ''um vencedor'', que sempre alcança suas metas graças ao ''trabalho e à constância'', como sempre repete.
Praticante de ioga, mas dito como um ''homem duro'', e segundo seus críticos ''representante da extrema-direita'', Uribe tentou se esquivar deste rótulo em seus discursos, e, inclusive, um dos lemas de campanha foi ''mão firme, coração grande''. Mas, além de negar essas considerações, fala ''de autoridade'' e de ''firmeza democráticas''.
Desde os anos de estudante secundário, universitário, nos diferentes cargos e cadeiras ocupados, foi um líder nato, um calculador que dificilmente sorri.
Há menos de um ano, as pesquisas mostravam que Uribe Vélez tinha apenas 5 por cento das intenções de voto dos colombianos. No entanto, dois meses depois começou a subir, e graças a perseverança e ao ''trabalho, trabalho, trabalho'', que sempre apregoou, começou a incomodar os favoritos, o próprio Serpa e a ex-ministra de Relações Exteriores, Noemí Sanín.
Uma pesquisa definitiva, realizada em fevereiro deste ano, quando Pastrana cancelou o processo de paz com a principal guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), mostrou um incrível crescimento nas intenções de voto do aparentemente homem tímido, que chegou ao primeiro lugar.
Na época, e ainda hoje, os analistas disseram que o discurso de Uribe, que mostrava ''autoridade'', sensibilizou o eleitorado.
Os colombianos, fartos de uma vida repleta de desastres econômicos, insegurança e um conflito armado que parece não ter fim, impulsionaram e optaram pela doutrina de ''autoridade'' contra a guerrilha e os grupos paramilitares que era anunciada pelo candidato.
No entanto, por trás do político duro e da máquina de calcular existe ''um apaixonado pelo campo'', que tenta passar a maior parte do tempo possível em uma fazenda perto de Medellín ou em outra, onde cria gado e cavalos, no estado de Córdoba.
Uribe prefere água e sucos de frutas aos licores, e é apaixonado por cavalos.
Sempre tenta dividir a maioria possível de seu tempo com sua mulher, Lina, uma filósofa e incansável leitora; e com seus dois filhos, os estudantes universitários Tomás e Jerónimo, de 20 e 18 anos de idade, respectivamente.
Os que o conhecem de perto garantem que ''é um viciado em trabalho'', um perfeccionista, modesto, uma máquina de calcular, um prodígio para lembrar detalhes, nomes, entrevistas, versos e números, e muito madrugador.


