UNODC admite efeito negativo de guerra à droga
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Folhapress 
São Paulo - Responsável pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o italiano Antonio Maria Costa declarou ontem, em Viena, que a política defendida pela ONU de uma guerra às drogas global, com ênfase na repressão policial e militar, teve consequências imprevistas dramáticas.
Ele falava na abertura da reunião da Comissão de Narcóticos das Nações Unidas, que divulgará amanhã um documento de consolidação dos princípios que norteiam a política internacional antidrogas.
A elaboração do texto provocou uma divisão em relação ao enfoque atual, apoiado pelos EUA e criticado pela União Europeia, que defende uma visão menos policial do tema.
Costa destacou, entre os efeitos colaterais da política repressiva, o fortalecimento financeiro e militar de grupos de traficantes que exploram o mercado negro da droga.
A Comissão de Narcóticos é operacionalmente subordinada ao escritório chefiado por Costa. Em resposta a essas consequências imprevis-tas, o diplomata defendeu controle e repressão ainda maiores, com maior coordenação entre os países. Por outro lado, fez concessões ao discurso europeu e de ONGs que defendem uma política de redução de danos, que diferencie o consumo do comércio de drogas.
Deveríamos apostar num meio termo entre a criminalização e a legalização, concebendo nossos esforços coletivos menos como uma guerra, e mais como um esforço para curar uma doença social.


