Universo está em expansão, sustentam cientistas
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terça-feira, 18 de maio de 2004
France Presse 
Washington - O Universo se expande a um ritmo cada vez mais rápido, anunciaram nesta terça-feira pesquisadores britânicos, confirmando por observação direta teorias de implicações fundamentais para o futuro do cosmo.
Estas conclusões se baseiam na observação ''da energia escura'', ou ''dark energy'', com a ajuda do telescópio espacial de raios-X Chandra, de acordo com os estudiosos, reunidos em Washington para uma coletiva de imprensa na sede da Nasa.
''O Universo se acelera verdadeiramente, é uma confirmação direta que tem importantes implicações no futuro não remoto do nosso Universo'', avaliou Steve Allen, astrofísico do Instituto de Astronomia de Cambrigde (Grã-Bretanha), que dirigiu os trabalhos.
''A energia escura empurra (o Universo) para o exterior e acelera sua expansão'', acrescentou.
Os pesquisadores ignoram a composição desta energia, mas estimam que sua densidade determina o ritmo da expansão do Universo. ''A expansão do Universo se acelera e, atualmente, a questão é saber porquê'', comentou Paul Hertz, pesquisador da NASA.
''Até compreendermos o que compõe a energia escura, todas as opções são possíveis'' para o futuro do Universo, disse. Existem três cenários em função da densidade da energia escura. No primeiro deles, se sua densidade permanecer constante, a aceleração da expansão vai continuar e ''apenas em bilhões de anos, o céu, em vez de ter as bilhões de galáxias observáveis com o telescópio, compreenderá tão-somente algumas centenas; será um lugar muito solitário'', explicou Hertz.
Em contrapartida, se a densidade se reduzir, ''a expansão vai decrescer até ponto em que o Universo vai desaprumar novamente antes de uma derrubada geral e do desaparecimento do Universo, antes de que, quem sabe, ocorra um novo Big Bang''.
A terceira opção seria um aumento da densidade da energia escura, cujo último efeito seria ''uma destruição dos átomos que compõem toda a matéria'', acrescentou.
''A energia escura domina o Universo e pode dominá-lo ainda mais no futuro'', apontou o professor Allen, para quem a teoria formulada por ''Albert Einstein de uma densidade constante da energia escura parece ser um bom modelo de trabalho para os pesquisadores''.
''Enquanto não tivermos, porém, um melhor entendimento da aceleração cósmica e da natureza da energia escura, não poderemos compreender o destino do Universo'', ressaltou Michel Turner, pesquisador independente da Universidade de Chicago e da Fundação Nacional de Ciências dos EUA.
Os pesquisadores envolvidos no estudo avaliam que o Universo é composto de 75% de energia escura, 21% de matéria escura e apenas 4% de matéria normal, como a que compõe a Terra.
Para seu trabalho, os cientistas estudaram 26 grupos de galáxias a distâncias em torno de 8 bilhões de anos-luz.


