Universitários morrem em incêndio
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terça-feira, 25 de novembro de 2003
Luc Perrot <br>France Presse 
Moscou Trinta e seis estudantes estrangeiros morreram na madrugada de ontem no incêndio que destruiu a cidade universitária Patrice Lumumba de Moscou, informaram um porta-voz da polícia e testemunhas. Pelo menos 190 estudantes foram hospitalizados, dos quais 50 se encontram em estado crítico, disse o vice-ministro do interior, Rachid Nurgaliev.
Alguns estudantes ficaram intoxicados com monóxido de carbono, outros pularam das janelas do prédio de cinco andares e sofreram fraturas na pernas ou ferimentos sérios na cabeça e nas costas, assinalaram os serviços de resgate.
O incêndio se declarou pouco depois das 2H00 locais (21H00 de Brasília do domingo) em um corredor da cidade universitária situada no sudoeste de Moscou, perto da Universidade da Amizade dos Povos, conhecida como Patrice Lumumba desde a época soviética e destinada a estudantes de países em vias de desenvolvimento. Cerca de 200 pessoas foram evacuadas do prédio em chamas.
O incêndio foi dominado às 5h40 locais (00h40 de Brasília) com a participação de 50 bombeiros.
''Os primeiros carros de bombeiros chegaram depois de 20 minutos e os caminhões mais poderosos só uma hora e meia mais tarde'', disse o estudante peruano Rosales, que morava no segundo andar do prédio incendiado. ''Consegui sair do prédio, mas um equatoriano saltou do quinto andar e morreu e um brasileiro que pulou do mesmo andar quebrou um braço'', acrescentou.
O prédio abrigava 220 estudantes, que em sua maioria acabavam de chegar à Rússia para um ciclo de estudos.
Entre as vítimas figuram estudantes da China, Bangladesh, Vietnã e vários países africanos, indicou o sindicato de estudantes estrangeiros em Moscou. A agência Notícia da China informou em Pequim que 17 estudantes chineses foram declarados desaparecidos e 33 feridos.
O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma investigação detalhada sobre as causas da tragédia, enquanto o vice-ministro do interior disse que os investigadores não encontraram ''sinais (de incêndio) criminosos nem indícios de explosivos'', e estimou que a causa mais provável é um equipamento elétrico defeituoso.
A hipótese de uma responsabilidade direta por parte de alguns estudantes foi lançada pelo ministro da educação, Vladimir Filippov, que anunciou a detenção de uma estudante africana. ''O fogo começou no quarto 203, no segundo andar, onde se alojam três estudantes africanas. No momento do incêndio, elas não estavam lá. Os investigadores tentam esclarecer agora por que fugiram'', declarou.


