Moscou - Uma inspeção de segurança realizada no alojamento universitário de Moscou que pegou fogo segunda-feira, e no qual morreram 37 pessoas, havia advertido para numerosos defeitos no sistema de sinalização no caso de emergência, anunciou ontem o Corpo de Bombeiros.
O sistema de detecção e alarme, assim como os alto-falantes, não funcionavam, segundo uma inspeção realizada em março, denunciou um funcionário da corporação citado pela agência de notícias Ria Novosti.
Além disso, os funcionários da administração e do corpo de estudantes não haviam sido informados dos passos a seguir em caso de incêndio, basicamente porque não havia sido decidido em que idioma seriam distribuídas as instruções. ''Numerosos estudantes compreendem mal o russo'', informou o oficial-bombeiro.
O incêndio destruiu o andar da universidade da Amizade dos Povos, chamada Patrice Lumumba, de Moscou, que abrigava estudantes estrangeiros provenientes de países em desenvolvimento.
Entre os mortos estão um estudante equatoriano de 21 anos e outro peruano, de 19, que morreu ontem em consequência dos ferimentos que sofreu ao atirar-se do quarto andar do prédio.
O brasileiro Fernando Ivan dos Santos Ostrowski, 18 anos, que dividia um quarto com outros três estudantes no quinto andar do edifício conseguiu escapar do incêndio. Ele foi o último a acordar com o som da sirene e, ao ver o fogo, saltou pela janela. A queda foi amortecida pela neve. Ele sofreu fraturas em duas costelas e no antebraço. De família adventista, ele conversou por celular com o pai, o advogado Fernando Ostrowski, que mora em Brasília. Disse acreditar que tenha ocorrido um milagre.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a direção da Universidade havia sido informada da lista de problemas constatados durante a inspeção e chegou a ser punida com uma multa no ano passado, devido ao não respeito às regras de segurança contra incêndio, segundo a fonte citada por Ria Novosti.

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