O movimento rebelde angolano UNITA anunciou ontem em Lisboa oficialmente, com um dia de atraso, sua desmobilização, cumprindo uma condição-chave para completar o turbulento processso de paz que se arrasta há quatro anos no país.
A UNITA, que vem sendo pressionada internacionalmente para cumprir as condições do processo de paz, fez a declaração em um comunicado enviado a agências de notícias de Lisboa.
Na mensagem, o movimento rebelde, liderado por Jonas Savimbi, afirma que a desmobilização será imediata. ‘‘A UNITA declara sua completa desmilitarização a partir de hoje, 6 de março de 1998’’. No comunicado, o movimento diz também que serão necessárias pelo menos duas semanas para que seus generais entreguem oficialmente suas armas.
A desmobilização é uma das condições impostas pelas Nações Unidas e pelo governo angolano do presidente José Eduardo dos Santos para que seja concluído o tratado de paz, assinado em 1994 no Zâmbia.
De acordo com o calendário proposto pelo enviado especial da ONU a Angola, Behrooz Sandry, o processo deve ser completado até o dia 16 de março com a liderança da UNITA se mudando para a capital Luanda. A partir daí, a UNITA deve abandonar todos os territórios em seu poder e desligar sua estação de rádio. Em troca, o governo angolano declararia a UNITA um partido político legal. No comunicado enviado a Lisboa, o movimento afirma também que dos 7.877 soldados de suas fileiras, 5.980 já entregaram suas armas.

mockup