Associated Press
De Belfast
O processo de paz na Irlanda do Norte (Ulster) entrou ontem em recesso com a decisão do Partido Unionista do Ulster (UUP) de boicotar a sessão de abertura da Assembléia da província, na qual seriam eleitos os membros do Executivo local - etapa primordial para a formação do governo autônomo, conforme previsto no acordo firmado em abril do ano passado. Quinze minutos antes do início dos trabalhos, o UUP anunciou que seus 28 deputados - a maior bancada do Legislativo - não iriam comparecer.
A resolução, praticamente antecipada no dia anterior pelo líder do UUP, David Trimble, representou um duro golpe para o processo de paz e em especial para o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que se empenhou em árduas negociações nos últimos dias para persuadir os unionistas a aceitar formar um Executivo com os republicanos.
Trimble recusa-se a formar uma coalizão de governo com o partido católico, e republicano, Sinn Fein, braço político do grupo guerrilheiro Exército Republicano Irlandês (IRA) enquanto os extremistas não se comprometerem claramente a iniciar a deposição de armas. O líder do Sinn Fein, Gerry Adams, tem procurado desvincular-se do IRA, alegando que seu grupo não tem como influenciar as decisões dos guerrilheiros.
O boicote do UUP levantou dúvidas sobre a possibilidade de católicos e protestantes superar suas divergências e reacendeu os temores de que grupos paramilitares voltem a realizar atentados na província. Nas últimas três décadas, mais de 3 mil pessoas morreram no conflito na Irlanda do Norte.

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