Unicef pede mais recursos para crianças
France Presse
De Paris
Pobreza maciça, guerras, Aids: o século que termina não foi fácil para as crianças, em particular para as do Terceiro Mundo, afirma o informe 2000 da Unicef, que insiste junto aos governo que dediquem meios financeiros para proporcionar a elas outro futuro.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), enfatiza, no entanto, que foram registrados progressos decisivos: redução da mortalidade infantil em 50%, aplicação preventiva de vacinas chegando a 80%, o quase desaparecimento da poliomielite e o retrocesso do sarampo, o avanço da escolaridade primária etc.
Da mesma forma, os Estados assumiram pela primeira vez a obrigação legal de respeitar os direitos das crianças (na saúde, educação, bem-estar familiar e social...). A convenção adotada na ONU, em 1989, foi ratificada por 191 países, e 117 países adotaram planos de ação para colocar-se em conformidade com ela.
O século, no entanto, registra uma longa lista de fracassos imperdoáveis: a mortandade infantil continua sendo terrível nos países pobres, com 10 a 15 por cento de crianças que morrem antes dos 5 anos de idade em Ruanda, Senegal, Sudão, Paquistão, Índia, Costa do Marfim e, inclusive, 20% na República Democrática do Congo e 28% em Niger.
Cento e trinta milhões de crianças (60% meninas) ficaram excluídas do mundo da educação primária, e milhões delas abandonam a escola antes de terminá-la. Não é de surpreender, por isso, que o mundo tenha 250 milhões de crianças entre cinco e 14 anos que trabalham.
A tudo isso é preciso acrescentar a Aids, que afeta em dobro os meninos, já que os deixa órfãos (12,5 milhões de crianças menores de 15 anos são órfãos da Aids) e os contamina. A cada semana 250 mil crianças e adolescentes são infectados no mundo, sendo que a exploração sexual de menores amplia o problema.
A Unicef também assinala um agravamento da violência armada em relação aos meninos, com 30 conflitos apenas na África desde 1970. Alvo de bombardeios, vítimas de minas antipessoais, as crianças também são recrutadas como soldados.
Outra constatação dramática: o aumento das desigualdades sociais. Em 1960, a diferença de entre 20% da população mundial mais rica e 20% da população mais pobre era de 30 por um. Essa relação é hoje de 74 por um.
Entre 1994 e 1998, as 200 pessoas mais ricas do mundo multiplicaram por dois sua fortuna, que ultrapassa um bilhão de dólares. No outro extremo, 1,2 bilhão de seres humanos vivem com menos de um dólar por dia, e a metade destes são crianças.
Uma das prioridades para se solucionar essas diferenças é trabalhar com a questão da dívida do Terceiro do Mundo, que atinge 92% do PNB nos países mais pobres. A Unicef pede que se aumente a ajuda pública ao desenvolvimento, em retrocesso há 30 anos. os países ricos só dedicam a essa ajuda 0,22% de seus PIB.
De fato, são necessárias somas enormes para frear a Aids nos países pobres e investir na saúde e na educação de milhões de seres humanos menores. Por fim, a organização assinala que o mundo produz mais de US$ 30 bilhões da riqueza anual, e o acesso de todos às necessidades básicas (saúde, água potável, escola primária) só exigiria 0,2 % da renda mundial.Relatório divulgado pela entidade lista alguns avanços, mas o século registrou uma série de fracassos no tratamento dispensado à infância
France PresseSITUAÇÃO DE RISCOCrianças da Colômbia, país que tem o maior índice de mortalidade infantil da América do Sul





