UNICEF diz que 100 mil crianças poderão morrer
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segunda-feira, 15 de outubro de 2001
France Presse<br> De Islamabad 
Pelo menos 100.000 crianças afegãs poderiam morrer neste inverno a não ser que nas próximas seis semanas chegue até elas uma quantidade suficiente de alimentos, informou ontem o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
O porta-voz da UNICEF em Islamabad, Eric Laroche, precisou que sua organização necessitava de 36 milhões de dólares para realizar seu ''trabalho urgente básico'' no Afeganistão mas que só havia recebido metade desse total.
''Pelo menos 100.000 crianças morrerão no Afeganistão neste inverno a menos que lhes chegue uma quantidade suficiente de víveres durante as próximas seis semanas'', insistiu Laroche durante entrevista à imprensa.
Em nome de outras organizações humanitárias, o porta-voz destacou que, com a chegada do inverno, as nevascas isolarão muitos civis nas zonas mais afastadas do Afeganistão. Também citou a seca, a continuação da guerra civil e os recentes bombardeios norte-americanos entre as principais ameaças que pesam sobre as crianças afegãs.
''Um menino nascido hoje no Afeganistão tem 25 vezes mais possibilidades de morrer antes da idade de cinco anos que um americano, um francês ou um saudita'', disse.
Outra porta-voz do sistema das Nações Unidas, Stephanie Bunker, considerou ontem a crise humanitária no Afeganistão a ''situação de emergência mais séria e complexa'' da história. Segundo ela, seis milhões de afegãos necessitavam ajuda urgentemente e que havia um milhão e meio de pessoas deslocadas no interior do país.
Segundo Stephanie Bunker, os ataques aéreos americanos iniciados dia 7 de outubro passado pelos Estados Unidos contribuem para a crise humanitária. ''Os bombardeios com mísseis tornam nosso trabalho mais difícil.''


