Unicef critica desnutrição no Terceiro Mundo
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de julho de 1997
France Presse Paris 
Milhões de crianças do Terceiro Mundo continuam vítimas da pobreza, da desnutrição e de doenças facilmente evitáveis, enquanto a ajuda fornecida pelos países mais ricos alcançou o nível mais baixo dos últimos 45 anos. A crítica foi feita ontem pelo Unicef em seu 5º informe anual sobre o progresso das nações.
Os países doadores investem apenas 0,27% de seu PIB em ajuda pública ao desenvolvimento, apesar de a ONU impor como objetivo um mínimo de 0,7%, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. A Dinamarca investe 1% de seu PIB em ajuda; a Noruega, 0,9%; e a França, 0,58%. A Alemanha fica com 0,34% e os Estados Unidos, com 0,1%.
Em termos absolutos, o primeiro doador é o Japão (US$ 14,5 bilhões), seguido da França (US$ 8,4 bilhões), Alemanha (US$ 7,5 bi) e Estados Unidos (US$ 7,4 bi). Quanto aos investimentos particulares (US$ 159 bilhões em 1995), foram parar em sua maioria nos países de economias em desenvolvimento, como China, Coréia do Sul e México, enquanto que os países mais pobres (principalmente os africanos) não receberam praticamente nada.
Apesar disto, o Unicef lembra que a batalha contra o subdesenvolvimento está muito longe de ser concluída. A mortalidade infantil diminuiu para a metade nos últimos 30 anos e, desde 1985, programas de saúde de baixo custo salvam a vida anualmente de 2,5 milhões de crianças.
No entanto, os maiores inimigos das crianças pobres continuam sendo sarampo, infecções respiratórias, desidratação ou desnutrição: em nove países da Africa, uma em cada cinco crianças recém-nascidas morre antes dos cinco anos. Segundo o Unicef, no ano 2010, será responsável por 41% das mortes infantis no Quênia, e de 61% em Botswana.
Outro fato: cada vez mais pessoas dispõem de água potável: 2,5 bilhões de pessoas em 1990 e 3,3 bilhões atualmente. Mas no total, 3 bilhões de indivíduos (a metade do planeta) não contam com nenhum tipo de canalização de águas usadas. O derrame de águas residuais nas cidades superpovoadas explica em grande parte a morte por diarréia de 2,2 milhões de crianças anualmente.


